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Tema: Santidade para os dias de HOJE

07/12/2008


Lv. 21.6


1. Tratar de santidade em pleno século XXI não é um assunto muito fácil.
2. Isso porque há um hiato entre o que algumas igrejas pregam e o que vivem.
3. Há um abismo entre o sermão e a vida, entre fé e obras.

O grande escritor Leonard Ravenhil disse:
“A maior vergonha dos nossos dias é que a santidade que apregoamos é anulada pela impiedade do nosso viver”.

Stanley, um pensador, disse:
“O maior inimigo do cristianismo não é o ateísmo, o budismo, o confucionismo, o materialismo, o romantismo, o islamismo, o espiritismo, o maior inimigo é pregar e não viver”.

4. A palavra “santo” aqui nesse texto vem do hebraico “qadosh” que quer dizer: “separar, cortar ou mais especificamente: ‘fazer separação para Deus’”.
5. O sacerdote, então, no A. T. era um homem cabalmente separado para servir a Deus no templo e oferecer sacrifícios pelos pecados seus e do povo.
6. Portanto, era necessário que esse homem fosse alguém santo perante Deus e perante os homens.
7. O sacerdote tipificava Cristo em oferecer sacrifício pelo perdão dos nossos pecados.
8. Mas também, tipificava o sacerdócio universal da igreja em sacrifício espiritual de louvor.


I Pe. 2.5 – “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”.

9. Então, assim como o sacerdote tinha de ser santo perante Deus e os homens, a igreja tem o mesmo dever de santidade hoje.
10. Ou seja, o dever de estabelecer-se diante de Deus e dos homens com santidade.
11. O dever de preservar-se ante a presença de Deus e dos homens com a pureza de Cristo.
12. Todavia, tratar de santidade hoje não é tão simples, em virtude da confusão que se estabeleceu sobre o assunto nas arenas religiosas.
13. É necessário, contudo, que haja um discernimento profundo sobre a verdadeira santidade que Deus reclama nas paginas da Bíblia Sagrada.
14. É necessário que nos voltemos para as Santas Escrituras e busquemos diligentemente o real significado de santidade para os dias de hoje. Portanto devemos perguntar:

Qual o modelo de santidade que a Bíblia Sagrada nos revela para os dias de hoje?

1º) Um modelo de santidade onde Deus seja o principal santificador.

1. Por três vezes Deus fala a Moisés que o Ele é o principal santificador do seu povo.
v. 8 – “...eu, o Senhor que vos santifico...”
v.15 – “...eu o Senhor, que o santifico.”
v. 23 – “...porque eu o Senhor, que os santifico.”
2. Santidade é primariamente uma obra de Deus no homem.
3. No tempo atual não é diferente, pois o Espírito Santo gera no nosso íntimo o desejo de abominar o pecado e de nos submetermos a sua soberana vontade.
4. Na verdade, há dentro de todo aquele que nasceu de novo um anseio real de ser santo como o seu Senhor.
5. Porque a obra da santificação não começa com o desejo humano de ser santo, começa com o desejo de Deus em nos tornar santos.

Jo. 17.17 – Jesus orava ao Pai e dizia: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Hb. 13.12 – “Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta”.

I Tss. 4.3 – “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação...”

6. O ser humano nasce pecador, afastado de Deus completamente.
7. Portanto se não partir de Deus o desejo de lhe santificar, o homem jamais chegará a tão elevada condição espiritual.
I Co. 2.14 – “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.
8. Portanto é o desejo de Deus em sermos santos que produz no nosso coração o desejo de santidade.

Assim como o MAR não conserva em suas águas seres mortos ou objetos inanimados, empurrando-os para fora de si, também o Espírito Santo trabalha em nós expulsando tudo aquilo que nos contamina na presença de Deus para fora de nós mesmos.

9. Por exemplo: o Espírito Santo é perito em expulsar de nós:
a) A mentira de nossos lábios;
b) A fofoca de nossa língua;
c) O medo do nosso coração;
d) O desejo sexual pervertido;
e) A falsidade nos relacionamentos;
f) A vida no adultério;
g) O prazer das drogas;
h) O prazer do álcool;
i) A desonestidade nos negócios;
j) A maldição do pecado.

10. Porque o verdadeiro cristianismo é aquele que gera nas pessoas o desejo de serem santas.
11. Jesus pregou um evangelho que produz no íntimo das pessoas um desejo de santidade.

Foi gerado na alma de Pedro um desejo de santidade;
Foi gerado no coração de Paulo um anseio por santidade;
Foi gerado na alma de João um anelo por santidade;
Foi gerado no íntimo de Mateus o desejo de ser santo;
Foi gerado na alma de Lucas o anelo de ser santo;
Foi gerado nos grandes homens de Deus esse desejo intenso de santidade em viver para Deus como sacrifício de louvor.

· Quando Pedro pregou o grande sermão no Pentecostes, a resposta dos que os ouvia em At. 2.37, foi de “coração compungido” uma pergunta: “Que faremos, então, irmãos?”.

12. É isso que a mensagem do evangelho gera nas pessoas, inquietação para mudança de um estado de pecado para uma condição de santidade.

No fundo da sua alma existe arrependimento sincero dos seus pecados?
Dentro do seu coração há um desejo intenso de santidade?
A sua alma anseia a santidade divina?
O seu coração tem fome e sede de justiça?
A sua alma deseja não se contaminar com a sujeira do pecado?

13. Se no seu coração não existir esse desejo de santidade, então, duvide de seu cristianismo.
14. Que a nossa oração seja: “Senhor gera em nós desejo de ser santo como Tu és santo”.

Fl. 2.13 – “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

15. E a vontade de Deus é que sejamos santos como Ele é santo.

2º) Um modelo de santidade onde exista consciência dos limites da vontade de Deus.

V. 4 – “Ele (o sacerdote), sendo homem principal entre seu povo não se contaminará, pois que profanaria”.

1. Para ser sacerdote no A. T. era necessário ter consciência dos limites estabelecidos por Deus, para preservar sua santidade no santuário.
2. Assim é o caso do cristão hoje, ele precisa observar os limites da vontade de Deus para preservar-se santo na presença do Altíssimo.
3. Porque no centro da vontade de Deus há limites que não podem ser ultrapassados.
4. Sendo que ultrapassar tal limite implica em sofrermos prejuízos terríveis.

· Adão só foi santo enquanto não ultrapassou o limite que Deus estabeleceu para ele; tendo ultrapassado, sofreu danos terríveis.
· Acã só foi homem santo no arraial do povo de Deus enquanto não ultrapassou o limite da vontade divina; tendo feito isso, foi morto ele e sua família;
· Sansão só foi santo enquanto na ultrapassou os limites da vontade de Deus pra ele; tendo quebrado a barreira do limite, sofreu dores horríveis;
· Saul só foi homem santo enquanto não ultrapassou o limite da vontade de Deus; tendo feito isto, morreu e foi pregado no muro da vergonha;
· Judas só foi homem santo enquanto não ultrapassou o limite da vontade divina; tendo feito isto, morreu enforcado de desgosto.

5. Porque ultrapassar limites divinos é quebra de aliança com Deus.
6. E toda aliança quebrada com o Senhor gera dor e sofrimento.

Vocês lembram-se do filho pródigo quando quebrou a aliança com seu pai? Qual foi o resultado?

7. Tomemos por exemplo o filho pródigo que resolveu sair de casa, ultrapassar os limites da fazenda, quebrar a aliança de filho com pai!
8. Sabemos muito bem que ele não viveu nada de bom nessa empreitada, e também sabemos que sua vida só voltou para o lugar quando ele reatou a aliança com seu pai.
9. Assim é o que muitos crentes tem feito, ultrapassado o limite da vontade de Deus, saído da casa do pai atrás de novidades mundo a fora e quebrado a aliança de santidade com o Senhor.

O que significa algumas gravidezes fora de tempo por algumas moças que se dizem cristãs?
O que significa alguns casamentos fora da hora?
O que significa a queda de grandes pregadores no pecado do adultério?
O que significa a desonestidade nas empresas de muitos que se dizem cristãos?
O que significa algumas mulheres fofoqueiras em alguns círculos cristãos?
O que significa a mentira nos lábios de homens que andam com a bíblia debaixo do braço?
O que significa os maus testemunhos que alguns crentes dão no emprego, na escola, na faculdade, no lar, no trânsito, no comercio, na vida?

10. Ora, significa ultrapassar os limites da vontade de Deus!
11. Precisa-se urgentemente haver um “Retorno a Santidade”, ao centro da vontade de Deus.
12. Só então a vida de muitos voltará ao seu devido lugar.
13. Porque a obra de Deus em nos santificar, não invalida, anula a nossa responsabilidade de observarmos os limites de sua vontade.
14. É necessário que haja um cuidado constante para não no encontrarmos na vida, como o filho prodigo um dia se encontrou.

Mc. 14.38 – “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.

I Co. 10.12 – “Aquele, pois, que pensa está em pé veja para que não caia”.

Gl. 6.7 – “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.


15. Portanto querido amigo, cuidado, observe os limites da vontade de Deus, pois no centro de sua vontade repousa a benção, a alegria, o amor, a paz e a vida em abundancia. Fora dela é prejuízo.

Alguém disse: “O melhor lugar do mundo é no centro da vontade de Deus e o pior lugar do mundo é fora da vontade de Deus”.

Você precisa retomar sua aliança com Deus?

3º) É um modelo de vida a ser um referencial seguido por outros.

V.6 – “...portanto, serão santos”.

1. O papel do sacerdote era o de ser o referencial de santidade para uma nação.
2. Ele tinha de ser o modelo a ser seguido por todos em atos, em obras, em justiça, em bondade e em amor.
3. Assim é o papel do cristão hoje, ser o referencial de santidade num mundo profano e pecador.
4. Todavia, ser o referencial para uma nação não era uma questão de opção para o sacerdote, era uma questão de Ser e pronto.
5. Ele era o referencial e ponto final. Não tinha essa de um dia ser religioso e outro ser irreligioso. Não! Ou era ou não era.
6. Da mesma forma é o crente em Jesus, ser santo não é uma opção do cristianismo.

· John MacArthur uma das maiores autoridades evangélicas do momento, disse: “Não ousamos encarar a santificação como algo opcional”.

7. Ou seja, Ser santo é uma exigência para quem quer viver para Deus.
8. Isso é uma questão de coerência cristã.

Pode ser considerado santo de Deus quem passa cheque sem fundo?
Pode ser considerado santo de Deus quem fofoca da vida alheia?
Pode ser considerado santo homem de Deus quem compra fiado e não paga?
Pode ser considerada santa mulher de Deus quem não cuida do lar?
Pode ser considerado santo quem é duas caras?
Pode ser considerado santo quem mente nos negócios?
Pode ser considerado santo que sonega impostos?
Pode ser considerado santo quem fala mal do pastor?
Pode ser considerado santo quem deseja a mulher dos outros?
Pode ser considerado santo quem vive com duas mulheres?
Pode ser considerado santo quem fala palavrão em casa?
Pode ser considerado santo quem espanca a esposa e os filhos no lar?
Pode ser considerado santo não ler a bíblia sagrada?
Pode ser considerado santo quem não gosta de oração?
Pode ser considerado santo quem não gosta de missão, evangelismo?
Pode ser considerado santo quem vive assim?


Alguém disse: “O que Deus deseja é que você prepare o seu caminho, aterre as falhas de sua existência, conserte as passagens escabrosas da sua existência; enfim, faça do projeto da sua vida algo coerente com sua vontade”.

Mt. 7.18-20 “Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada fora. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”.

Quais tipos de frutos são os nossos?
Que tipo de arvore nós somos?
Quais tipos de frutos são os seus?
Que tipo de árvore é você?

9. Vivemos uma crise de referenciais no mundo todo.
10. Nos faltam homens referenciais a serem seguidos e imitados.

· Há um livro cujo titulo é: “Porque caem os gigantes?”

11. Infelizmente somos a geração onde a maioria de nossos gigantes está no chão.
12. Homens que outrora eram referenciais de santidade, e hoje são casos de zombaria.
13. Precisamos urgentemente pedir a Deus que nos levante como referenciais de santidade em nosso tempo.
14. É necessário que haja um clamor a Deus para nos tornar homens e mulheres santos dignos de serem considerados referenciais para nossa geração.

J. L. Packer – em seu livro “A redescoberta da santidade” disse:
“Santidade é a imitação de cristo em suas virtudes de bondade, humildade, justiça, abnegação e amor por Deus e pelo próximo”.


15. Jesus é o nosso referencial digno de ser imitado e seguido.
16. Ele é o referencial que a igreja e o mundo carecem.
17. Ele é o modelo de uma vida santa com Deus.
18. A bíblia Sagrada tem um modelo de santidade como referencia para esse mundo tortuoso que se acha em Cristo Jesus.

· Quando nos faltar um referencial de humildade e mansidão, olhemos para Jesus e lá estará Ele dizendo: “Aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração”.
· Quando nos faltar um referencial de justiça, olhemos para Cristo e lá estará Ele: “julgando corretamente o caso de uma mulher adultera”.
· Quando nos faltar um referencial de perdão, olhemos para Jesus, e lá estará Ele na cruz dizendo: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.
· Quando nos faltar um referencial de nobreza, olhemos para Jesus e lá estará Ele dando atenção a um pobre cego, mendigo, leproso, ladrão ao seu lado na cruz.
· Quando nos faltar um referencial de paz, olhemos para Jesus e lá estará escrito sobre Ele: “Príncipe da paz”.
· Quando nos faltar um referencial de força, olhemos para Jesus e lá estará escrito sobre Ele: “Deus forte”.
· Quando nos faltar um referencial de sofrimento, olhemos para Cristo e lá estará Ele agonizando numa cruz por três horas.
· Quando nos faltar um referencial de fé, olhemos para Cristo autor e consumador da nossa fé.
· Quando nos faltar um referencial de amor, olhemos para Jesus e La estará Ele no caminho do calvário, suando gotas de sangue, na via dolorosa, sendo pregado numa cruz por amor de mim e de você pecador.


I Jo. 2.6 – “aquele que diz que permanece nele, esse deve andar como Ele andou”.

19. Cristo é a cabeça da igreja, Ele é o nosso maior referencial.
20. Que Deus nos guie nos passos de seu amado Filho Jesus.
21. Que possamos ter em nós o caráter e a mente de Cristo.
22. Que sejamos povo santo por seguirmos os passos do nosso salvador.
23. E que o mundo veja em nós um referencial de justiça, bondade, amor, verdade, humildade, renuncia e santidade.

Você é um referencial de Deus para seu tempo?
O seu altar de santidade na presença de Deus estar consertado?
Você é um referencial digno de ser imitado?
Você é um santo homem de Deus digno de respeito?
Você é uma santa mulher de Deus como referencial para suas amigas?
Você é uma santa mulher de Deus referencia no casamento?
Você é uma jovem santa de Deus referencia no namoro?
Você é um santo homem de Deus referencia no ministério?
Você é um santo de Deus mesmo no mundo?

24. Urgentemente clamemos a Deus para que sejamos referenciais para nossa geração como santos e piedosos, “obreiros aprovados que não tem nada do que se envergonhar”.

· Nas paredes de uma igreja na Inglaterra, que foi bombardeada na 2º guerra mundial, tinha escrita a seguinte oração com o titulo “Santificado seja o teu nome” que dizia:

“Na indústria, ó Deus, que estejas tu em minhas mãos e em meu fazer.
Nas artes, Deus, que estejas tu em meus sentidos e em meu criar.
No lar, ó Deus, que estejas tu em meu coração e em meu amar.
No comercio, que estejas, Deus, no meu balcão e em meu vender.
Na cura, ó Deus, que estejas tu em minha habilidade e em meu tocar.
No governar, que estejas, Deus, nos planos e em meu decidir.
Na educação, que estejas, Deus, em minha mente e em meu crescer.
Na recreação, que estejas, Deus, em meus membros e em meu lazer”.


Meu Deus! Há que ponto chegamos!!!!!

08/10/2008


O movimento chamado "igreja ao gosto do freguês" está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de "desigrejados" ou "João e Maria desigrejados"). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os "desigrejados", mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!
Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren ("Uma Igreja com Propósitos"). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.
Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.
Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de "fazer igreja".
O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de "o guru do crescimento da igreja", diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?
Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é "loucura para os que se perdem" e que Cristo é uma "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).
Megaigrejas adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds.
Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.
Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.
Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão:
...procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada "Espírito Santo" ou "Consciência Cósmica" ou o "Verdadeiro Eu". É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de "indústria da experiência" (pp. 20-21).
Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas "igrejas ao gosto do freguês" (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de "desigrejados" juntando-se à igreja.
Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interessadas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de "desigrejados" que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os "desigrejados", que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.
O Evangelho e a pessoa de Jesus Cristo não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos.
Se essa percentagem é típica entre igrejas "ao gosto do freguês", o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para "desigrejados". Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair "João e Maria", fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a "igreja ao gosto do freguês", evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que "João e Maria" continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.
A maior parte dos que freqüentam as "igrejas ao gosto do freguês" professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, "alimento" contaminado com "falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam" (2 Tm 6.20). Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.
Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a "igreja ao gosto do freguês", alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!
Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os "desigrejados". Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma "igreja ao gosto do freguês" onde isso acontecesse. As "refeições espirituais" oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um "best-seller" psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.
Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os "desigrejados" ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:
...em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels" (p. 156).
Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): "Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)"!
Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão.
A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como "Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas", "Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação" e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém "em recuperação" e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como "Sansão era dependente".
A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.
Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num "Titanic espiritual". Os pastores de "igrejas ao gosto do freguês" (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram "ricos e abastados" e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram "infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus". Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade!








O que quero dizer com cristianismo de consumo? Em termos gerais, é qualquer tentativa de construir o Reino de Deus ou edificar o cristão individual (ou atrair o convertido potencial ao cristianismo) por meios e métodos que apelam à carne – ou seja, o coração enganoso e egoísta do homem. O começo de tal cristianismo consumista foi no jardim do Éden quando Satanás manipulou Eva para que desobedecesse a Deus, deixando que ela cresse, no entanto, que estava aperfeiçoando a si mesma (Gn 3.1-6).
Especificamente relacionado com o que está acontecendo hoje em dia, o cristianismo de consumo é um esforço para ajudar igrejas cristãs a crescerem em tamanho e a se tornarem eficientes através da aplicação de princípios comerciais, estratégias de marketing e conceitos de gerenciamento. Esse é o empreendimento mais popular do cristianismo atual, fato bastante estranho, até mesmo preocupante, para qualquer pessoa que tenha entendimento de “consumismo” e “cristianismo”. Por quê? Porque esses dois termos são antagônicos.
Consumismo, no senso de negócios, é um conceito baseado em satisfação do freguês, a qual é a chave para qualquer transação comercial de sucesso. O produto ou serviço oferecido deve ser ajustado aos desejos e necessidades expressas pelo freguês, ou não haverá lucro sustentável. O freguês sempre tem razão, porque onde não há freguês, não há lucro e, portanto, não há transação comercial.
Deus reina no cristianismo bíblico. A Sua revelação para a humanidade são “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1.3). Cristianismo bíblico é simplesmente tudo o que a humanidade necessita saber para ser reconciliada com Deus, para fazer a Sua vontade diariamente e para viver com Ele por toda a eternidade. Não é uma estratégia de marketing e, de fato, não tem nenhuma associação ao mundo de negócios e seus conceitos.
Qualquer tentativa de aperfeiçoar a prática do cristianismo bíblico através de princípios comerciais está, no melhor dos casos, adicionando metodologias fúteis à Palavra de Deus. No pior dos casos, tal tentativa rejeita a suficiência das Escrituras em favor das obras da carne, apaga o Espírito Santo e sujeita aqueles que assim procedem ao serviço do deus deste mundo, a serem enganados por ele e, finalmente, a se tornarem seus escravos. De qualquer modo, leva à destruição espiritual na igreja e tem conseqüências eternas.
O cristianismo de consumo está no centro do movimento de crescimento de igrejas e seu efeito letal pode ser encontrado em todas as denominações (também pseudo-cristãs). Muitas igrejas evangélicas têm se entregado de coração a uma estratégia de marketing designada primeiramente a atrair os perdidos, que são vistos como fregueses em potencial. À medida que os não-cristãos freqüentam os cultos e se misturam com os membros (novos e mais antigos), não se pode evitar que o conceito de consumismo se espalhe por toda a congregação. Inevitavelmente, isso afetará a pregação, a música, a Escola Dominical, as programações, etc., o que, por sua vez, produzirá uma falta de profundidade através da igreja inteira.
Freqüentemente, as estratégias de marketing têm tido sucesso em adicionar números a uma congregação. Dezenas de milhares de pastores nos EUA e internacionalmente têm sido influenciados por ministérios altamente populares, colocando em prática metodologias de marketing usadas por eles, visando ganhar almas e aumentar o número de membros em suas igrejas.
Freqüentemente, as estratégias de marketing têm tido sucesso em adicionar números a uma congregação.


Será essa a maneira bíblica de ganhar almas e efetivar o crescimento na igreja?


Para alguns cristãos bíblicos a resposta é obviamente “não!”, mas para um número cada vez maior dos que proclamam ter a Bíblia como autoridade e fonte totalmente suficiente da verdade de Deus, esse “não!” tem mudado para “possivelmente... talvez...” ou “sejamos cuidadosos em não jogar fora o que é bom junto com o que não tem valor”. Vejamos, portanto, se há algo de valor a ser salvo em tudo isso.
O consumismo tem apoio nas Escrituras? Será que Deus formatou o Evangelho para gratificar os desejos mundanos da humanidade? Existem certas coisas na Bíblia que devem ser evitadas para que não assustem os que poderiam se converter? Será que a Palavra de Deus reflete uma preocupação de que as pessoas possam tomar outro rumo se as necessidades que sentem não forem saciadas? A Bíblia nos manda tornar a verdade mais aceitável ao oferecê-la aos perdidos de uma forma diluída ou usando entretenimento? Ainda se trata do Evangelho que salva quando a mensagem é alterada para agradar ao paladar dos não-cristãos? Se algum cristão acha que a resposta a essas perguntas é “sim”, creio que o pensamento do mundo já influenciou profundamente seu entendimento bíblico.
Certamente, os pastores é que deveriam saber melhor. No entanto, na maioria dos casos em que o consumismo afetou uma igreja, os pastores foram o instrumento em implementá-lo. Os pastores aos quais estou me referindo, e com os quais estou muito preocupado, são aqueles que se consideram bíblicos, que sinceramente querem ver almas salvas e que honestamente querem cumprir seu chamado e seu ministério de maneira agradável a Deus. Como pode tal pastor de ovelhas ser atraído para o cristianismo de consumo?
O processo freqüentemente se desenvolve de forma sutil. Imaginemos que um pastor ama os membros de sua igreja e quer que sejam felizes. Ele também quer que cresçam espiritualmente e está sempre procurando meios pelos quais novas ovelhas possam ser adicionadas ao rebanho. Quando conflitos acontecem e expectativas de crescimento não se realizam, as soluções são freqüentemente procuradas com outros que tiveram sucesso nesses aspectos. Os remédios recomendados quase sempre envolvem alguma forma de ajustamento.
Por exemplo, um conflito muito comum que existe hoje em dia é sobre os diferentes gostos em música, o qual é usualmente resolvido estabelecendo-se cultos separados – um com hinos tradicionais e outro com cânticos atuais. Como essa solução parece satisfazer a maioria dos membros, muitos pastores sentem-se encorajados a adicionar mais almas à sua igreja ao combinar a atração da música contemporânea com mensagens ao gosto do público (ou seja, atraentes e que não o façam sentir-se ameaçado), apresentadas num culto casual e conveniente de sábado à noite. Programas inovadores são, então, formulados para sustentar o interesse desses membros em potencial e para motivar os membros desinteressados e inativos, com ênfase particular em atividades de entretenimento para atrair jovens e mantê-los na congregação.
Alguns pastores têm me contado que, relutantemente, coletam idéias já usadas pelo mundo para que possam competir com ele, de maneira a alcançar os perdidos para salvá-los do mundo. Eles estão cientes da ironia desse método, mas argumentam que é o único jeito de não ter que ficar pregando para bancos vazios. A propósito, a pregação é freqüentemente diminuída e suplementada por visuais, produções musicais e teatrais.
A pregação é freqüentemente diminuída e suplementada por visuais, produções musicais e teatrais.
Esse é um caminho que, embora pareça inofensivo a princípio, leva ao caminho largo do cristianismo de consumo. Apesar de simpatizarmos com pastores que se sentem compelidos (alguns até coagidos pela própria igreja) a descer até esse caminho, a verdade é que ele é pavimentado com meios-termos bíblicos e leva a um beco espiritual sem saída.
Essa metodologia para o crescimento da igreja não é algo novo na cristandade. Trata-se de uma forma crônica de fazer as coisas do jeito do homem ao invés de seguir o modo de Deus. O imperador Constantino, que viveu no século IV, ainda está para ser igualado em suas estratégias de sucesso para o “crescimento da igreja”. Ele professou ter se tornado cristão e induziu a metade do Império Romano a fazer o mesmo. Essa era de compromissos assumidos pelo imperador (que intitulou a si mesmo “Vigário de Cristo” e “Bispo dos Bispos”) de modo a atrair novos convertidos é caracterizada por Will Durant como um tempo em que “o mundo se converteu ao cristianismo”.[1] Outro historiador escreveu: “Ao invés de ser uma fonte de melhorias (em relação às perseguições que os cristãos sofriam antes), essa aliança (política) foi uma fonte de ‘maior perigo e tentação’... Enchendo as igrejas indiscriminadamente com pagãos... simplesmente acabou com as claras demarcações morais que separavam a ‘igreja’ do ‘mundo’.”[2]
Um milênio mais tarde, “Martim Lutero encontrou uma Roma pagã totalmente entregue ao dinheiro, à luxúria e a males semelhantes”, escreve Edwin Booth. Ele se “espantou e não conseguiu compreender o porquê disso”.[3] O grito de guerra da Reforma foi “Sola Scriptura!” e, apesar desse lema não ter sido seguido totalmente, a Palavra de Deus e Seu caminho foram restaurados como autoridade e regra de vida para milhares de pessoas enganadas pela acomodação devastadora que se abatera sobre a Igreja Católica Romana.
O cristianismo de consumo nunca foi uma prática de um lado só. É necessário que haja um ofertante e um receptor. Tetzel, um monge dominicano do século XVI, famoso vendedor de indulgências, foi um grande manipulador. Ainda assim, seu trabalho foi facilitado por “indulgir” a natureza egocêntrica dos seus fregueses católicos. Tanto ricos quanto pobres estavam dispostos a pagar qualquer coisa para evitar as chamas do inferno e o purgatório.
O protestantismo tem tido sua quota de exploradores espirituais e de consumidores a serem explorados. Da mesma maneira que a “campanha de levantamento de fundos” de Tetzel foi fundamental para a construção da Basílica de São Pedro em Roma, os evangelistas de “saúde e prosperidade” do século XX (muitos continuando do mesmo jeito atualmente) ajudaram a transformar a Trinity Broadcasting Network (canal de TV nos EUA) na maior rede televisiva religiosa do mundo. Distorcendo a doutrina bíblica da fé e tornando-a em uma força que qualquer pessoa pode usar para obter poder e cura, esses espertalhões ajuntaram fortunas às custas de pessoas biblicamente fracas e iletradas, como também daqueles cujo “deus... é o ventre, e a glória está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp 3.19).
Durante os últimos quinze anos, os mais suscetíveis às maquinações de charlatães religiosos eram crentes professos que tinham mais afinidade com experiências do que com a sã doutrina. Eles se achavam usualmente entre os pentecostais e carismáticos. Crentes mais cuidadosos, cientes da doutrina, pareciam estar imunes a idéias como a da “semente de fé” de Oral Roberts, ou aos shows blasfemos de “poder do Espírito Santo” de Benny Hinn, dois líderes entre muitos que promovem a linha de “sinais e maravilhas”.
Contudo, a credulidade espiritual agora achou solo fértil – ou melhor, um charco profundo – entre aqueles que tradicionalmente se ativeram ao discernimento bíblico. Apesar das metodologias sedutoras serem um pouco diferentes, as bases para o engano espiritual efetivo são as mesmas: nenhum cristão, evangélico ou não, está imune a “tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, a soberba da vida...” (1 Jo 2.16). Além do mais, a única proteção contra tal engano – a leitura e a obediência à Palavra de Deus no poder do Espírito Santo – está sendo sistematicamente diluída por toda a igreja evangélica.
A História da Igreja tem demonstrado a necessidade de se aderir à Palavra de Deus e quando isto acontece o resultado pode ser visto em santidade e frutos. Quando o cristianismo bíblico é adulterado (por adicionar-se métodos de homens), ou completamente abandonado, as distorções religiosas dos homens prevalecem, levando a Igreja a uma cegueira e anemia espiritual: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Pv 14.12). Existe uma correlação entre o nível de apoio nas Escrituras que uma igreja demonstra e sua aceitação de práticas e crenças heréticas. À medida que uma igreja se esvazia de entendimento bíblico, a habilidade de seus membros de discernirem falsas doutrinas torna-se praticamente nula.
O efeito mais perigoso do cristianismo de consumo é o que ele faz da apresentação do Evangelho da Salvação, a única esperança que as pessoas têm de se reconciliar com Deus. No cristianismo de consumo ouve-se uma propaganda sutil, mostrando todas as coisas que Deus oferece à humanidade: “Ele nos ama tanto que deseja que passemos toda a Eternidade com Ele, a humanidade é muito importante e de valor infinito”. Isso torna-se a razão do sacrifício de Cristo na cruz. A essa mistura de verdades e distorções voltadas para o ego, adiciona-se uma breve “oração de conversão” que deve ser repetida por aqueles que foram persuadidos a aceitar a oferta sedutora. Esse método tornou-se tão comum que é até difícil para alguns cristãos reconhecerem que há algum problema com ele, sem falar em discernirem quão duvidoso é se as pessoas alcançadas foram realmente salvas.
Como? Comecemos por alguém que foi genuinamente salvo e vamos examinar a situação a partir daí. Qualquer pessoa que é nascida de novo pelo Espírito de Deus tem um coração novo, cheio de amor genuíno por Deus e pelos outros, como também pela Palavra. Ele ou ela é uma nova criatura e, ainda que não seja perfeita, dentro dela existe um coração que deseja agradar a Deus mais do que a si mesma.
“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Pv 14.12).
Um exemplo específico é encontrado em Lucas 7.36-50, envolvendo uma mulher de má reputação que entrou na casa de Simão, o fariseu, por quem Jesus tinha sido convidado. Ela lavou os pés dEle com suas lágrimas, secou-os com os seus cabelos e beijou-os repetidamente. Jesus declarou que ela amou muito porque muito lhe fora perdoado.
Essa passagem nos mostra como é essencial a convicção de pecado quando alguém vem a Cristo. Os fariseus, cheios de si e virtuosos aos seus próprios olhos, tinham pouca ou nenhuma convicção de pecado, portanto, não procuravam perdão. A mulher, pelo contrário, não pensou em si mesma, ou no desprezo dos convidados daquele jantar. Sua gratidão a Jesus, por ter lavado os seus pecados, a compeliu a morrer para si mesma e a viver para Ele.
O evangelho de acordo com o cristianismo de consumo, por outro lado, tem que apelar para o ego, colocando a ênfase em coisas (verdadeiras ou distorcidas) que vêm ao encontro das necessidades expressas dos perdidos. Isso restringe seriamente quase todas as doutrinas bíblicas que possam trazer convicção de pecado. Qual é o problema? É que Jesus veio salvar os pecadores, não os consumidores.

Organiza o Natal

04/10/2008

Carlos Drumond de Andrade

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Amar o perdido

Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido

deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

O resgate da esperança

Pr. Carlos Queiroz


"Deus continua se revelando de maneira estranha e em lugares imprevisíveis - e nós não percebemos"

Tenho caminhado por muitos lugares e visitado igrejas das mais variadas confissões. E tenho presenciado manifestações inconfundíveis do verdadeiro Evangelho. O Evangelho é, por natureza, de difícil comercialização. Não se consegue vender virtudes; jamais conseguiremos vender o projeto da cruz, ou alienar por determinada quantia o perdão divino. Quem, afinal, pagaria para entregar a face ao perverso? Quantas pessoas estariam dispostas a pagar para sofrer por amor a Cristo? Quantos de nós pagaríamos para nos engajar na causa pela justiça? E quantos ricos aceitariam o Evangelho se tivessem que entregar metade dos seus bens aos pobres e ainda pagar, quatro vezes mais, àqueles a quem houvessem defraudado?

Encontro comunidades que vivenciam com profundidade a natureza do Evangelho. Uma delas é a Igreja Batista de Bultris, em Olinda (PE). É uma comunidade de pessoas, em sua maioria, pobres. Por opção, aqueles crentes construíram um templo sem janelas e portas, com o único propósito de servir como espaço de abrigo aos transeuntes sem-teto. Ali, os empobrecidos do bairro são acolhidos. A congregação participa dos conselhos municipais e possui núcleos para formação de bancos comunitários em parceria com entidades de educação e serviço para empreendedores pobres. A igreja em Bultrins promove anualmente um fórum de prática e reflexão teológica para representantes de várias comunidades cristãs do Nordeste - assim, consegue passar essa visão e influenciar a vida de muitas outras pessoas.

Conheço de perto também a organização Crianças do Brasil para Cristo, o CBC, formada por membros de várias igrejas em Fortaleza (CE). O CBC não recebe apoio de nenhuma instituição internacional. Todo custo para apoio escolar, alimentação e socialização de crianças e adolescentes através de atividades esportivas e culturais são provenientes de doações individuais e serviços voluntários, beneficiando mais de 300 deles. Vários daqueles jovens ingressaram na universidade; outros abandonaram a violência e retomaram o caminho dos estudos.

Trata-se de pequenas iniciativas? Por certo. Mas, somadas, elas podem nos surpreender por seus resultados. Sem dúvida alguma, os cristãos têm potencial para fazer muito mais. Há ainda muitos recursos sub-utilizados. Os dados estatísticos nos indicam que a grande massa evangélica brasileira é ainda composta pela soma das pequenas comunidades, e não pelos grupos evidentes na mídia. Elas estão distribuídas nas periferias urbanas; nas encostas dos morros; nas regiões ribeirinhas; no semi-árido nordestino. São crentes em Jesus que moram à beira do caminho - à margem dos direitos e à beira da miséria; à margem dos hospitais e à beira da morte; à margem das escolas e à beira da ignorância; à margem do trabalho e à beira da fome.


Por outro lado, esta parte do Corpo de Cristo permanece à margem da competitividade, mas diante da solidariedade; à margem da acumulação, mas vizinha da partilha; à margem do lucro, mas próxima da gratuidade; à margem do individualismo, mas de braços abertos para a fraternidade. Eles me ajudam a interpretar e entender a manjedoura, a encarar o sofrimento, a encontrar no calvário sinais de vida e ressurreição. Eles podem me trazer lembranças das coisas que resgatam a esperança da vida. Deus continua se revelando de maneira estranha e em lugares imprevisíveis - e nós não percebemos.

Carlos Queiroz é professor, escritor e diretor-executivo da Visão Mundial Brasil. Pastoreia a Igreja de Cristo em Fortaleza (CE).

Fonte: Cristianismo Hoje

Evangelistas em fogo


Autor: Pr. Ricardo Gondim

I Coríntios 9.16-27.


Introdução.

Não há nada mais encantador que uma grande mensagem. Nada mais invejável do que um homem sendo usado poderosamente nas mãos do Espírito Santo. Nada mais intrigante do que observar um vasto auditório cativo, magnetizado, sob o poder da pregação do Evangelho. Uma espécie de encanto, de “maravilhamento” transforma aquela experiência em um instante mágico.

Eu daria tudo para estar na Galiléia e ouvir o mais magistral de todos os sermões, e ouvir Cristo introduzir sua mensagem com a frase: Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus.

Invejo os companheiros de Paulo quando saudou os atenienses diplomaticamente, afirmando: Em tudo os vejo religiosos. Acredito que até um leve cicio de vento se ouviu naquele lugar.

Gostaria de anonimamente sentar-me no vasto auditório do London Hall para ouvir Spurgeon, sentir-me-ia privilegiado de ser membro da igreja de Peter Marshall gostaria de ouvi-lo todos os domingos. Viajaria no tempo e no espaço para sentar-me ao pé do memorial de Lincoln e ouvir Martin Luther King Jr, com a voz altiva, com o dedo em riste e um olhar sereno, desafiando os norte americanos a sonhar, O refrão repetia-se como música: I have a dream.

Lembro-me com nostalgia e em alguns casos, com lágrimas, de um tempo não muito remoto em que o Caio Fábio movia auditórios com raciocínios claros e profundos. Não posso esquecer do Geziel Gomes, pregador pentecostal da Assembléia de Deus, deixando um auditório de mais de dez mil pessoas arrepiado e valente só na sua saudação.

A paixão pelo púlpito vem desvanecendo. Jovens seminaristas hoje orientam seus ministérios à gestão administrativa de suas congregações. Cursos, seminários, congressos florescem por todos os lados, ensinando como fazer sua igreja funcionar melhor, como motivar as pessoas para liderarem, etc. Poucos ou nenhum seminário sobre o Púlpito, sobre o anúncio profético da Palavra, sobre o poder da pregação ungida.

Creio que nenhum método de crescimento da igreja será bem sucedido sem um púlpito forte. Nenhuma igreja será mais bem sucedida do que os critérios com que se encara o exercício homilético.

Percebe-se uma insatisfação generalizada na igreja de nossos dias quanto à pregação. A pobreza de nossos púlpitos está estampada na miséria espiritual de nossos membros. A pregação perdeu-se em abstrações, vem sendo sepultada lentamente com jargões, monotonamente repete-se com fórmulas homiléticas.

Pastores e evangelistas são muito mais promotores do que tribunos, mais administradores do que expositores. Estamos mais à cata de fórmulas que façam nossa igreja crescer do que ser arautos da verdade, pregoeiros da justiça. Temos mais pessoas especialistas em entretenimento e condutores de “louvorzão” do que em grandes pregadores.

Sermões são aguados com Ilustrações, frases prontas enfraquecem nossos conteúdos, Pastores contentam-se com jargões que nada transmitem senão uma falsa esperança.

Faltam-nos os grandes pregadores, estamos em uma crise de grandes príncipes da pregação. Eu mesmo tenho sede de ouvir grandes mestres do púlpito. Gente que saiba abrir as escrituras e, sob uma inspiração rica e poderosa no Espírito saiba alimentar a minha alma. Talvez, estejamos sucumbindo ao imediatismo de nossas época. Procuramos métodos rápidos porque talvez saibamos intuitivamente que a arte da pregação leva muito tempo.

E.M. Bounds afirmou:

“Um homem, um homem inteiro, é o que há por detrás de um sermão. Pregar não é fazer uma apresentação de uma hora, mas o fluir de uma vida. Leva vinte anos para ser fazer um sermão, porque leva vinte anos para se fazer um homem.”


Como necessitamos de Pregadores que à semelhança de Pedro deixe o seu auditório compungido, apunhalado no coração.

Arautos que, á semelhança de Paulo, deixe os reis e príncipes boquiabertos, pasmos, dizendo: Por pouco não me persuades a também me tornar um cristão.

Pregadores que saibam combinar a
riqueza da oratória com a urgência profética.
A lógica do raciocínio com a paixão evangelística.
A doçura da poesia com a fidelidade exegética.
A agilidade da intuição com a contemplação meditativa.
A beleza da arte humana da oratória com o mistério da revelação divina.

O capítulo 9 de I Coríntios 9 trata da defesa apostólica de Paulo. A igreja de Corinto estava em ponto de ruptura. Os ânimos vinham acirrados, as posições encasteladas, os desvios éticos racionalizados, os desvios doutrinários bem confusos. Sua carta tem um tom duro, e devido a esse tom duro com que escreve, necessita mostrar que sua motivação não busca vanglória. Insiste que não está movido por qualquer espírito messiânico, mas por que ele foi tomado por uma santa compulsão de pregar o evangelho. Ele inicia o capítulo estabelecendo sua missão apostólica e sua autoridade. V.1 e 2. Segue mostrando que tem direito de requerer suporte financeiro para continuar pregando o evangelho 3-14. Corajosamente afirma que abriu mão desse direito de receber qualquer compensação financeira. V. 15-18. Demonstra sua fidelidade aos seus propósitos e como se conduziu. V. 19-23. Termina ressaltando o porquê de sua fidelidade. V. 24-27.


O versículo 16 é chave na compreensão deste capítulo:

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho.”

Todo pregador que estiver tomado pela santa compulsão de pregar o evangelho:

1. Luta para ser livre. V. 14-15.
Paulo deixa claro que o exercício do seu ministério estava livre. Ele não tinha respeitos humanos. Não havia satisfações a facções, a grupos que o mantivessem sob um patrulhamento doutrinário.

O evangelista que foi pregar em uma igreja. Não fale contra bingo e loteria porque vamos fazer uma rifa na próxima semana. Não fale contra o envolvimento da igreja na política porque teremos eleição na próxima semana, nossa igreja recebeu um dinheiro de um político. Por favor, não fale contra a maçonaria, temos alguns bons maçons na igreja. E contra o quê vou falar então? Fala contra judeu, não temos nenhum aqui.

Ser livre para pregar conforme a Palavra, preparar-se sem ter que dar satisfação a um grupo que pode mirrar o meu salário. Mais, o que pode fazer a minha igreja crescer. Pregar sem ter que agradar o meu auditório. Falar como arauto de Deus. Ouvir Deus, no preparo da mensagem como ouviu Ezequiel:

“Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje. Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás. Assim diz o Senhor Deus. Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde hão de saber que esteve no meio deles um profeta. Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde. Mas tu lhes dirás as minha palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são casa rebelde. Ez. 2.3-7.

Ninguém pode negar que na igreja moderna dinheiro é a causa de maior ansiedade entre os pastores. Interessante. O que nos perturba mais, era o que menos perturbava a igreja primitiva.

Uma outra força que conspira contra o preparo do pregador é o desejo de ser famoso, bem sucedido. A pregação deixa de ser um meio e passa a ser um fim em si mesma. Um enorme desejo de galgar na estrutura denominacional. De rebentar, de acontecer.

“Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo...Antigamente convertia-se o mundo, hoje, porque se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras em obras, são tiro sem bala; atroam, mas não ferem. Pe. Antônio Vieira.

Simone Weil – Morreu aos trinta e três anos de idade. Intelectual francesa, preferiu trabalhar em fazendas e fábricas para se identificar com a classe trabalhadora. Quando os exércitos de Hitler invadiram a França, ela fugiu para se juntar aos franceses livres em Londres, onde morreu. Sua tuberculose se complicou por causa da desnutrição que a acometera. Ela se recusava a comer mais do que seus conterrâneos recebiam em suas rações diárias por estarem sob ocupação nazista. Como seu único legado, esta judia que aceitou a Cristo deixou em diários e notas esparsas um denso registro de alguém que viveu sem cabrestos:

“Não me incomodava em não possuir qualquer sucesso visível, o que mais me importunava era a idéia de estar excluída de um reino transcendental ao qual somente os grandes têm acesso e onde habita a verdade.”

Creio que um dos exercícios mais difíceis de devolvermos a criatividade aos nossos púlpitos consiste em aprender a pensar com autonomia.

A história dos homens como um todo nada mais é, de qualquer sorte, que uma longa luta até a morte pela conquista do prestígio universal e do poder absoluto. Em sua essência, ela é imperialista. Estamos longe do bom selvagem do século XVIII e do Contrato Social.” Albert Camus.

“Para muitos é difícil aceitar a realidade do relacionamento entre revolta e religião. Na religião não são os fanáticos ou os mais fiéis ao status quo que recebem a glória final. São os rebeldes. Lembremo-nos de quantas vezes na história da humanidade santo e rebelde foram uma só pessoa. Sócrates foi um rebelde e o condenaram a tomar cicuta. Jesus foi um rebelde, e o crucificaram. Joana D’Arc foi rebelde e a queimaram na fogueira. Contudo essas pessoas, e centenas de outras iguais a elas, desprezadas por seus contemporâneos, foram glorificadas e adoradas nos séculos seguintes por sua contribuição criativa à ética e à religião. Aqueles que chamamos de santos rebelaram-se contra um Deus, segundo a sua visão interior de divindade, tornara-se inadequado e obsoleto...A rebelião foi provocada por um novo conceito de divindade. Rebelaram-se como diz Paul Tilich, contra Deus, em nome do Deus além de Deus. A presença contínua do Deus além de Deus é a marca da coragem criativa, no campo da religião.” Rollo May.

2. Não permite que haja qualquer motivação dúbia. V 16-18.

Paulo deixa claro que a motivação é essencial no reino de Deus. Ele não está tão interessado no que fazemos mas nos porquês de nossas ações. A Palavra de Deus é viva e eficaz, exatamente porque consegue discernir as intenções do coração do homem.

“O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito, qual cuidais que é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes.” Pe. Antônio Vieira.


O duque La Rochefoucauld: “Nós estamos tão acostumados a nos disfarçar dos outros que acabamos nos disfarçando de nós mesmos.”

O alerta Machadiano em Dom Casmurro: “Quantas intenções viciosas há assim que embarcam, a meio caminho, numa frase inocente e pura.” Mas o mesmo narrador admite que esse vício é tenebroso para a sua própria alma: “Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de mim do que ninguém.”

Quando dois oficiais do Exército da Salvação mandaram uma carta para o General Booth perguntando o que fazer. Que já tinham tentado todos os métodos, ele respondeu: Agora tentem as lágrimas.



3. Ser culturalmente relevante. V.19-22.
Devemos ler como exercício do pensar. Precisamos aprender a pensar por nós mesmos. Descansar a mente, afirmava Lloyd Jones, é ler algo diferente.


A agenda de João Wesley

Segundas e Terças – Grego, História romana e Literatura.
Quartas – Lógica e Ética.
Quintas – Hebraico e Árabe.
Sextas – Metafísica e Filosofia Natural.
Sábado – Composição de Oratória e Poesia.
Domingos – Divindade.

Ainda encontrava tempo para estudar Francês, estudos de Matemática, e ainda conduzia experimentos em Ótica.

Spurgeon dizia: Hoje em dia estamos praguejados com um bando de sujeitos que acham de firmar-se sobre a cabeça e de pensar com os pés.

Temos ainda o texto de Giberto Freyre, citado por Robson Cavalcanti na Revista Ultimato de Julho/Agosto de 2000.

“ O protestantismo brasileiro gera gramáticos, e não literatos.”

Robson Cavalcanti, emenda:

“Por faltar-nos a liberdade para criar, a liberdade para a arte que reflete o humano e a vida com suas ambigüidades, sendo os romances evangélicos transformados em apenas outra forma e sermão, com personagens estereotipados e final previsível.”

O que ler? Qual a nossa sintonia cultural? Tenho medo de estarmos tentando responder perguntas que ninguém mais faz e sem resposta para novas perguntas que vêm sendo feitas.


4. Não ser messiânico. V.23

Ele queria apenas ter o privilégio de ser participante do evangelho. Não era ele que provocava o avanço do evangelho, ele caminhava soberano.

O cemitério está cheio de gente imprescindível. Precisamos saber combinar ousadia com auto-crítica, arrojo com companheirismo, excelência com eforço.


5. Ser consistente. V.24-27.

Ele reconhece que a consistência de vida é mais importante que os conteúdos homiléticos.

“Cada qual sussurre consigo mesmo no íntimo de sua alma: ‘Que coisa terrível seria para mim, se eu ignorasse o poder da verdade que me estou preparando para proclamar.’ Um pastor destituído da graça é semelhante a um cego eleito professor de ótica, que faz filosofia sobre a luz e a visão comentando e distinguindo para os outros os belos sombreados e as delicadeas combinações das cores prismáticas, quanto ele mesmo está absolutamente em trevas. É um mudo elevado à cátedra de ópera, um surdo a falar sobre sinfonias e harmonias. Uma toupeira pretendendo criar filhotes de águias, um molusco eleito presidente de anjos.” Spurgeon.

Um velho amigo de Martin Lloyd Jones, já ancião, mas muito crítico, ouvindo dois pregadores, um extremamente lúcido mas seco e enfadonho, o outro exatamente o oposto espalhafatoso mas sem densidade bíblica, comentou: ‘Luz sem calor.’ Então, pregou o segundo: ‘Calor sem luz.’ Lloyd Jones, então completa afirmando: ‘Precisamos ter luz e calor, sermão e pregação. Luz sem calor jamais afetará a quem quer que seja; calor sem luz não tem valor permanente. No que consiste a pregação? Em lógica pegando fogo! Em raciocínio eloqüente! Em teologia em chamas.”

O que marcou o cristianismo primitivo? Línguas de fogo.



“ Recordem-se, como ministros, de que toda a sua vida, especialmente toda a sua vida pastoral, será afetada pelo vigor de sua piedade. Se o seu zelo se amortecer, vocês não orarão bem no púlpito, orarão pior no seio da família e pior ainda a sós, no gabinete pastoral. Quando a alma se empobrece, os seus ouvintes, sem que saibam como e por que, acharão que as suas orações, em público têm pouco sabor para eles. Sentirão a sua aridez antes que vocês percebam.” Spurgeon.

Quando Paulo fala das restrições sobre a separação, ordenação de obreiros, afirma que não podem ser neófitos. A pergunta é: Pode alguém ser um neófito mesmo sendo um teólogo erudito? Pode alguém ser um neófito, mesmo sendo um pregador com tantos anos de púlpito?

Quantas escolas teológicas têm oração como parte de seu currículo?

Posso ensinar-lhe em dez minutos como extrair um apêndice. Mas, ser-me-ão precisos quatro anos para lhe ensinar o que fazer se alguma der errado.

Falai de Deus

Falai de Deus com a clareza
Da verdade e da certeza
Com um poder

De corpo e alma que não possa
Ninguém, à passagem vossa,
Não o entender.

Falai de Deus brandamente,
Que o mundo se pôs dolente,
Tão sem leis.

Falai de Deus com doçura,
Que é difícil ser criatura:
Bem o sabeis.

Falai de Deus de tal modo
Que por ele o mundo todo
Tenha amor.

À vida e à morte, e, de vê-lo,
O escolha como modelo
Superior.

Com voz, pensamentos e atos
Representai tão exatos
Os reinos seus

Que todos vão livremente
Para esse encontro excelente.
Falai de Deus.

Cecília Meireles.

O que é unção? Não sei. Contudo, tenho certeza quando não a tenho.

Nenhum homem consegue ser maior que a profundidade de sua vida com Deus.

Término.

Rogai ao Senhor da Seara que mande obreiros, precisamos de excelentes missionários, melhores apologetas, mais profetas, bons pastores, mas a minha oração hoje é que sobretudo, ele mande mais e melhores pregadores do evangelho.

Duas vaquinhas pastavam à beira da estrada. Passou um caminhão de leite. Escrito na lateral do caminhão lia-se: Esterelizado, homogeneizado, enriquecido com vitaminas A e B, baixo teor de gordura: Uma olhou para outra e disse: Você não se sente às vezes meio incompetente? Com uma sensação de que é inadequada? NO meio desse mesmo sentimento é que meu coração clama: A começar em mim, levanta homens e mulheres afogueados e que saibam empunhar a espada do espírito com poder e arte.

Soli Deo Gloria.

Ainda sou do tempo

17/09/2008

O amado Pr. Claudio Pimenta, amigo meu de caminha da pregação, mandou-me um email com esse texto. Existem textos alheios que valem a pena conferir e publicar e este é um deles. Leia e identifique a identidade cristã nesse texto riquissimo de vida e verdades.

Wagner Antonio de Araújo

“Ainda sou do tempo em que ser crente era motivo de críticas e perseguições. Nós não éramos muitos, e geralmente éramos considerados ignorantes, analfabetos, massa de manobra ou gente de segunda categoria. Os colegas da escola nos marginalizavam. Os patrões zombavam de nós. A sociedade criticava um povo que cria num Deus moral, ético, decente, que fazia de seus seguidores pessoas diferentes, amorosas, verdadeiras e puras. Não era fácil. Mas nós sobrevivemos e vencemos. Sinto falta daquela perseguição, pois ela denunciava que a nossa luz era de qualidade, e ofuscava a visão conturbada de quem não era liberto. E, por causa dessa luz, muitos incrédulos foram conduzidos ao arrependimento e à salvação. Mas hoje é diferente.Ainda sou do tempo em que os crentes não tinham imagens em suas casas, em seus carros ou como adereços de seus corpos. Nós não tatuávamos os nossos corpos e nem colocávamos "piercings" em nossa pele. Críamos que os nossos corpos eram sacrifícios ao Senhor, e que não nos era lícito maculá-los com os sinais de um mundo decadente, um deus mundano e uma cultura corrompida. Dizíamos que tatuar o corpo era pecado. Não tínhamos objetos de culto em nossas igrejas. Aliás, esse era um de nossos diferenciais: nós éramos aqueles que não admitiam imagens em lugar algum. Mas hoje é diferente.

Ainda sou do tempo em que pornografia era pecado. Nós não considerávamos fotos eróticas ou filmes pornô um "trabalho profissional", mas uma prostituição do próprio corpo e uma corrupção moral. Ao nos convertermos, convertíamos também os nossos olhos, e abandonávamos as revistas pornográficas, os cinemas de prostituição e os teatros corrompidos. Os que eram adúlteros se arrependiam e pagavam o preço do que fizeram, e começavam vida nova. Os promíscuos mudavam seu comportamento e tornavam-se santos em todo o seu procedimento. Nós, os adolescentes, deixávamos os namoros e os relacionamentos orientados pelos filmes mundanos, e primávamos por ser como José do Egito, que foi puro, ou o apóstolo Paulo, que foi decente. Mas hoje é diferente.

Ainda sou do tempo em que nos vestíamos adequadamente para o culto. Aliás, além do nosso testemunho moral, nós nos identificávamos pelas roupas. Se pentecostais, usávamos roupas sociais bastante formais, e éramos conhecidos aonde quer que íamos, pois ninguém mais se vestia tão formalmente assim em pleno domingo à tarde. Se de outras denominações, como eu, não chegávamos a esse extremo, mas nos trajávamos socialmente, com o melhor que tínhamos, dentro de nossas possibilidades, porque críamos que, se íamos prestar um culto a Deus, a ocasião nos exigia o melhor, e buscávamos dar o melhor para Deus. Era a famosa "roupa de missa", "roupa de igreja". Mesmo pobres, tínhamos o melhor para Deus. E sempre algo decente: camisas sociais, calças bem passadas, um sapato melhor conservado, um blaizer ou uma blusa bem alinhada. As mulheres usavam seus melhores vestidos, suas melhores saias e seus conjuntos mais femininos. Mas hoje é diferente.

Ainda sou do tempo em que nossos hinos falavam de Cristo e da salvação. Cantávamos muito, e nossas músicas não eram tão complexas como as de hoje. Mas todos acabávamos por decorá-las. Suas mensagens eram simples e evangelísticas: "foi na cruz, foi na cruz", "andam procurando a razão de viver"; "Porque Ele vive, posso crer no amanhã", "Feliz serás, jamais verás tua vida em pranto se findar", "O Senhor da ceifa está chamando"; "Jesus, Senhor, me achego a ti", "Santo Espírito, enche a minha vida", "Foi Cristo quem me salvou, quebrou as cadeias e me libertou", etc. Não copiávamos os "hits" estrangeiros, ou as danças mundanas, mas buscávamos algo clássico, alegre, porém, solene. E dançar o louvor? Jamais! Não ousávamos, nem queríamos; nunca soubéramos que o louvor era "dançante"; as danças deixamos em nossas velhas vidas mundanas. Porém, mesmo não as tendo, éramos alegres e motivados. Mas hoje é diferente.

Ainda sou do tempo em que as denominações e igrejas tinham personalidade. As denominações eram poucas e bastante homogêneas. Sabíamos que a Assembléia de Deus era pentecostal e usava indumentária formal; os presbiterianos eram os melhores coristas que existiam; os adventistas tinham uma fé estranha, numa profetisa semi-contemporânea, mas tinham os melhores quartetos masculinos; os melhores solistas eram batistas, etc. Nossas liturgias eram bastante diferentes: os conservadores eram formais, seus cultos silenciosos, enquanto um orava, os outros diziam amém. Já os pentecostais oravam todos ao mesmo tempo e cantavam a Harpa Cristã. Nós nos considerávamos irmãos, não há dúvida. Mas tínhamos personalidade. Hoje tudo é diferente.E eu não sou velho! Isso tudo não tem 26 anos ainda! Na década de 80 ser crente era ser assim! Meu Deus, como o mundo mudou! Como a chamada Igreja Evangélica se deteriorou!

Hoje eu sinto vergonha de ser considerado evangélico!Hoje é moda ser crente, ou melhor, "gospel". Você é artista pornô, mas é crente. Você é do forró pé-de-serra, mas é crente. Você é ladrão, mas é crente. Você é homossexual assumido, mas é crente. Não importa a profissão, o comportamento, a moral, a índole, ser crente é apenas um detalhe. Aliás, dá cartaz ser crente: hoje muitos cantores "viram crentes" pra vender seus CD's encalhados, pois o "povo de Deus" compra qualquer coisa. Não há diferença entre o santo e o profano, o consagrado e o amaldiçoado, o lícito e o proibido, o justo e o injusto. Qualquer coisa serve. O púlpito pode ser uma prancha de surf, uma cama de motel ou um palanque eleitoral; a forma não importa. Ser crente é apenas um detalhe, uma simples nomencalatura religiosa.Hoje os crentes tatuam as suas peles, mesmo sabendo que a Bíblia condena o uso de símbolos e marcas no corpo de quem se consagra a Deus. Criamos nossos próprios símbolos, nossos próprios estigmas e nossas próprias tribos.

Hoje há denominações que dão opções de símbolos para que seus jovens se tatuem. O "piercing" deixou de ser pecado, e passou a ser "fashion", e está pendurado na pele flácida de roqueiros evangélicos e "levitas" das igrejas, maculando a pureza de um corpo dedicado ao Deus libertador. Mulheres há que enchem seus umbigos e outras partes de pequenas ferragens, repletas de vaidade e erotismo mundano, destruindo, assim, qualquer padrão cristão de consagração corporal. Meninos tingem seus cabelos de laranja, e mocinhas destróem seus rostos com produtos, pois agora todo mundo faz, e "Deus não olha a aparência". (Ainda bem, pois se olhasse, teria ânsia de vômito...)

Hoje ir à igreja é como ir ao mercado ou às barracas de feira e de artesanato: um evento efêmero, informal, meramente turístico. Não há mais cuidado algum no trajo cultuante. Rapazes vão de bermudas, calções (e, pasmem os senhores, de sungas!), até sem camisa, porque Deus não é "bitolado, babaca ou retrógrado". Garotas usam suas mini-saias dos "rebeldes" e exibem umbigos cheios de "piercings", estrelinhas e purpurinas pingando dos cabelos e roupas, numa passarela contínua do modismo eclesiástico. Se alguém ainda vai modestamente ao culto, seja jovem, seja velho, ou é "novo convertido", ou é "beato". É típico encontrarmos pastores dizendo aos "engravatados": "Pra que isso, irmão? Vai fazer exame laboratorial?" E, continuamente, vão demolindo qualquer alicerce de reverência e solenidade para o ato do culto.

Hoje as nossas músicas pouco falam de Cristo. Somos bitolados por um amontoado de "glórias", "aleluias", "no trono", "te exaltamos", "o teu poder", etc. Misturamos essas expressões, colocamos uma pitada de emoções, imitamos os ícones dos megaeventos de louvores, e gravamos o nosso próprio cd, que, de diferente, tem a capa e o timbre de algumas vozes, talvez alguns instrumentos, mas, no mais, não passam de cópias das cópias das cópias. E Jesus? Ah, quase nunca o mencionamos, e, quando o fazemos, não apresentamos qualquer noção do que Ele é ou representa para o nosso louvor. Não falamos mais que Ele é o caminho, a verdade e avida, não o apresentamos como Senhor e Salvador, não informamos ao ouvinte o que se deve fazer para tê-lo no coração, apenas citamos seu nome ou dizemos um aleluia para ele.

Hoje, entrar em uma igreja é como ter entrado em todas: é tudo igual. O mesmo sistema, as mesmas cantorias, a seqüência de eventos, os rituais emocionais, as pregações da prosperidade, de libertação de maldições ou de mega-sonhos "de Deus" (como se Deus precisasse sonhar, como se fosse impotente ou dependente da vontade humana). Transformamos nossas igrejas em filiais de uma matriz que não sabemos nem aonde fica, mas que se representa nas comunidades da moda. Não há mais corais, não há mais solistas, não há mais escolas dominicais fortes, não há mais denominações com características sólidas, não há mais nada. Tudo é a mesma coisa: uma hora e meia de "louvor", meia hora de "ofertas" e quinze minutos de "pregação", ou meia hora de "palavra profética e apostólica". Que desgraça!

Hoje trouxemos os ídolos de volta aos templos: são castiçais, bandeiras de Israel, candelabros, reproduções de peças do tabernáculo do velho testamento, bugigangas e quinquilharias que vendemos, similares aos escapulários católicos que tanto criticávamos.
Hoje não nos atemos a uma cruz sem Cristo, simbólica apenas. Hoje temos anjinhos, Moisés abrindo o Mar Vermelho, Cristo no sermão da Montanha. O que nos falta ainda? Nossas bíblias, para serem boas, têm que ser do "Pastor fulano", com dicas de moda, culinária, negócios e guia turístico. Hoje temos bíblias para mulheres, para homens, para crianças, para jovens, para velhos, só falta inventarmos a bíblia gay, a bíblia erótica, a bíblia do ladrão, a bíblia do desviado. Bíblias puras não prestam mais. E, mesmo tendo essas bíblias direcionadas, QUASE NINGUÉM AS LÊ! Trazemos rosas para consagrar, rosas murchas para abençoar e virar incenso em casa, sal groso para purificar, arruda para encantar, folhas de oliveira de Israel e água do Rio Jordão (Tietê?) para abençoar, vara de Arão, de Moisés, e sabe lá de quem mais! Voltamos às origens idólatras! Parece o povo de Israel, que, ao morrer um rei justo, emporcalhavam o país com suas idolatrias e prostitutas cultuais. E se alguém ousa ser autêntico, é taxado de retrógrado. Com isso, surgem os terríveis fundamentalistas, que abominam tudo, ou os neopentecostais, que são capazes de transformar a igreja num circo, fazendo o povo rir sem parar ou grunir como animais.

Meu Deus, o que será daqui há alguns anos? Será que teremos que inventar um nome novo para ser evangélico à moda antiga? Parece que batista, assembleiano, presbiteriano, luterano ou metodista não define muita coisa mais! Será que ainda haverá púlpitos que prestem, pastores que pastoreiem, louvores que louvem a Deus? Será que seremos obrigados a usar "piercing" para nos filiarmos a alguma igreja? Será que nossos cultos serão naturistas? Será que ainda haverá Deus em nosso sistema religioso?

É CLARO QUE HÁ EXCEÇÕES! E eu bendigo a Deus porque tenho lutado para ser uma dessas exceções. É claro que o meu querido leitor, pastor, louvador, membro de igreja, missionário, também tem buscado ser exceção. Mas eu não podia deixar de denunciar essa bagunça toda, esse frenesi maligno, esse fogo estranho no altar de Deus!

Quando vejo colegas cuspindo no povo, para abençoá-los, quando vejo pastores dizendo ao Espírito Santo "pega! pega! pega!", como se fosse um cachorrinho, quando vejo pastores arrancando miúdos de boi da barriga dos incautos doentes que a eles se submetem, quando vejo um evangelho podre arrastando milhões, quando vejo colegas cobrando dez mil reais mais o hotel, ou metade da oferta da noite, para pregar o evangelho, então eu me humilho diante de Deus, e digo: "Senhor, me proteja, não me deixa ser assim!"Que Deus tenha piedade de nós.”Wagner Antonio de Araújo

Como vencer na adversidade

19/08/2008

Nossas atitudes diante das adversidades da vida são um fator determinante para sairmos ou não delas. Para escrever sobre isso, tomamos por base experiências pessoais e reais. Se você anda a procura de uma palavra de Deus, se Ele quiser pode falar com você através deste texto.Todo dia, escutamos muitas palavras; algumas ficam guardadas em nossa memória, e, da maioria delas nos esquecemos completamente. Uma palavra pode nos animar, levantar, mudar nosso ânimo. Provações, aflições, perseguições e dificuldades, ninguém gosta disso, mas estão presentes, em algum tempo e de formas variadas, na vida de cada um de nós. Você pode fazer delas os degraus da sua vitória ou sua própria "sepultura" dependendo da sua atitude. Podemos começar aprendendo a distingüir a voz de Deus dentre as muitas vozes que escutamos. Apenas ela é verdadeira dentre tantas que gostaríamos que fossem. Se você é cristão sabe: Deus fala na adversidade . Se ainda não o é, e quer ser abençoado por Deus e sair do fundo do poço, vai ter que tomar uma decisão sincera: aceitar Cristo como Senhor da sua vida. Procure uma Igreja evangélica. Quanto tempo mais vai protelar sua reconciliação com Ele? Caso queira saber mais detalhes quanto a isto consulte.

Então, Para ouvir a voz Deus temos aproximar dEle. O primeiro passo é aceitar Jesus com Senhor de nossa vida e Salvador de nossa alma.Depois, Abandonar velhos hábitos, vícios, companhias mundanas e até pecados ainda não confessados. Corrigir nossos rumos. Uma vez cristãos, isto é, seguidores de Jesus Cristo, nossa vida não pode ser nem hipócrita, nem corrupta. A escolha é sua: se quer mesmo ouvir as orientações de Deus, para achar sua porta de escape e seu lugar na prosperidade de Deus - anime-se e aja. Seu bom destino depende desta atitude."O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável". Provérbios 28:9. "Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, a esse ouve". João 9:31 . Para ouvir Deus falar, seu coração deve estar limpo do pecado.Os santos não estão livres de provações. Elas tanto atigem a pecadores quanto a justos. Os pecadores ( quem peca por prazer ) precisam de arrependimento e santificação; os justos de paciência e perseverança. Veja isto no texto abaixo:"Confirmando o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus". Atos 14:22 . "Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo". João 16:33 . "Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas". Salmos 34:19 .
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uma pérolaO segundo conselho é olhar sempre para Cristo, o autor e aperfeçoador da nossa fé. Pedro estava no barco; com ele, outros discípulos enfrentando uma forte tempestade . "Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. Mateus 14:24 . Pedro viu Jesus de longe e disse: " Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas "

E, Pedro ouviu a voz de Cristo: Vem! Pedro. ele desceu do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus". Sob a voz de Cristo, ele começou a caminhar por sobre o mar. E, quando deixou de olhar para Cristo e passou a olhar para a força do vento e a altura das ondas, sentiu medo e começou a afundar. Clamou por socorro e Cristo lhe estendeu a mão e de novo ficou por cima do mar.Nossas tribulações e aflições diárias têm um objetivo: são degraus de uma escada que pode nos levar a um lugar próspero mais perto do Senhor. Romanos 5:3-5 diz: "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Quem vence na tribulação, pode, depois, confortar outros em situações semelhantes.Uma de nossas atitudes diante das tribulações deve ser a de perseverança. Esperar com paciência o dia da vitória: "Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. I Coríntios 15:57". Certo Pastor, era muito abençoado em suas orações. Tudo que ele orava, Deus respondia. Todavia, chegou um tempo que isso parou de acontecer. Ele orava, e Deus ficava em silência. Pedia, e nada recebia. Batia, e a porta estava bem trancada. Então, muito decepcionado com Deus reclamou:- Senhor, eu tenho passado vergonha. Tenho orado e o Senhor não me ouve mais. Como minha fé pode crescer se tenho orado mas o Senhor não me responde?
Tempos depois, ele ouviu a seguinte resposta de Deus: A fé vem durante o tempo que você espera pela resposta da oração. Se todos orassem e recebessem respostas imediatas, não haveria necessidade de Fé! Depois de ter aprendido essa lição, aquele pastor voltou novamente a ser abençoado com respostas do Senhor.Outra atitude muito eficaz é se ocupar em fazer algo para o Senhor durante o tempo que passar no "vale da aflição". Há muita coisa que pode ser feita, mesmo sem um único centavo no bolso. O Mar Vermelho estava à frente e o exército do faraó se aproximando pela retaguarda. Moisés clamava ao Senhor no meio daquele infortúnio. Foi aí que Deus o repreendeu: "Por que clamas a mim Moisés, diga aos filhos de Israel que marchem! " Estende o teu cajado , estende a tua mão sobre o mar e divide-o" Exodo 14; 15-16. Deus exigiu ação!O Senhor abriu o Mar, mas veja, Ele exigiu uma ação de Moisés. Não estará também o Senhor esperando que você tome uma atitude? Arranje algo para fazer, tanto na vida material quando espiritual. Precisa haver este equilíbrio nisso, pois não podemos trabalhar só nas coisas espirituais, pois os olhos da sociedade observa nosso testemunho principalmente o cuidado com nossa família. Abandonar a família nessa época dizendo que estamos realizando o chamado do Senhor é vergonhoso e aos olhos da comunidade Deus vai ser escarnecido.No nosso caso pessoal, na área espiritual o Senhor nos incumbiu de arranjar literatura usada e, usando o correio, enviá-la para grupos informais de presidiários crentes dentro de penitenciárias paulistas. Começamos em março de 2001, logo após a primeira grande rebelião de presos do PCC no Estado de São Paulo. Se não tivéssemos ocupado nossas horas, além de nossos afazeres, com essa missão, teríamos perecido.É importantíssimo fazer algo na obra do Senhor durante a tribulação. Se ficar parado, se lamentando, murmurando, prostrado, ou nos velhos vícios e pecados - se ainda não é crente - é bem possível que você esteja mesmo cavando sua própria cova, ou se escondendo na "caverna" dos desanimados. Você não é um coelho que ficar em tocas! O Senhor tem bênçaos maravilhosas para lhe dar . Elas, entretanto estão em um nível mais alto. Ele quer que você construa, durante as suas aflições, uma escada para subir até a presença dEle. Essa escada é construída com santificação, orações, ações espirituais, paciência, esperança. Fé!
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Cuidado com a cova. Reepreenda os pensamentos de desânimo, de frustração. São malignos. Ore ao Senhor, toda vez que pertubarem sua mente. Por trás deles, pode estar um espírito maligno, que age muito bem enquanto não é identificado.O Senhor Jesus Cristo ama você. Guarde bem isso. Não se deixe enganar. E por fim, lembre-se da atitude de Paulo: E uma coisa faço, e é que, me esquecendo das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão adiante de mim, prossigo para o alvo, pela soberana vocação em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14.
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Há uma coroa da vitória depois da adversidade! Olhe para frente, onde estão as bênçaos do Senhor e o Dia da retirada do seu cativeiro. Que Deus, em Cristo, lhe conceda, em breve, o desejo do seu coração.

Martin Luther King Jr.

"Eu tenho um sonho: Que um dia esta nação vai se por de pé e viverá o verdadeiro significado de sua crença. Nós conservamos esta verdade para ser auto-declarada, que todos os homens foram criados iguais. Eu tenho um sonho, e nele meus quatro filhos pequenos viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor de suas peles mas pelo conteúdo do carater deles.".15/01/1929 - 04/04/1968.
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Nascido Michael Luther King, Jr., mais tarde seu nome foi mudado para Martin. Seu avô começou o longo mandato da família King como pastores da Igreja Batista Ebenezer em Atlanta, servindo de 1914 a 1931; seu pai deu seqüência até 1960, e de 1960 a 1968, quando Martin morreu, atuou como co-pastor da igreja.Martin freqüentou as escolas públicas no Estado da Georgia nos tempos da segregação racial, completando o segundo grau aos 15 anos. Em 1948, concluiu a faculdade no Morehouse College, uma destacada instituição negra de Atlanta, na qual, tanto seu pai quanto o avô também se graduaram.Em 1951 ele concluiu o bacharelado, depois de três anos de estudos teológicos no Seminario Teológico Crozer, na Pennsylvania, onde foi eleito presidente de uma classe de veteranos predominantemente branca. Com a amizade conquistada em Crozer, ele se inscreveu em estudos avançados na Universidade de Boston, completando sua residência para o doutorado em 1953 e se graduando em 1955. Ali em Boston, ele conheceu se casou com Coretta Scott, uma jovem de talentos intelectuais e artísticos incomuns. Dois filhos e duas filhas completaram a família.Em 1954, Martin Luther King foi aceito como pastor da Igreja Batista da Avenida Dexter em Montgomery - Alabama, onde sempre foi um ferrenho defensor dos direitos civis para os membros de sua raça. King era, naquele tempo, um membro do comite executivo da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, a organização líder de seu gênero na América.

Ele estava preparado, pois, bem cedo, em dezembro de 1955, para aceitar a liderança da primeira grande demonstração negra de não violência contemporânea nos Estados Unidos - o boicote a companhia de ônibus de Montgomery.O boicote durou 382 dias. Em 21 de dezembro de 1956, a Suprema Corte amaricana decretou a incostitucionalidade do decreto que exigia segregação racial em ônibus, [e a partir dali ] negros e brancos passaram a usar o mesmo ônibus com os mesmos direitos.Durante os dias do boicote King foi preso, sua casa explodida, ele sofreu abuso pessoal, mas, ao mesmo tempo, emergia com um lider negro de primeira magnitude.Em 1957, ele foi eleito presidente da Conferência de Lideranças Cristãs do Sul, uma organização formada para prover novas lideranças para o agora emergente, Movimento dos Direitos Civis.Os ideais da nova organização foram tomados do cristianismo, mas com as táticas operacionais de Gandhi.No período de 11 anos ( 1957 - 1968 ) King viajou mais de 10 milhões de quilômetros, e discursou mais de 2.500 vezes; aparecendo sempre onde havia injustiça, protesto, ações. Neste interim escreveu cinco livros e numerosos artigos. Naqueles anos, ele liderou um protesto maçiço em Birmingham, Alabama, que chamou a atenção do mundo inteiro, providenciando o que se chamou "coalizão de consciências", e se inspirou para escrever " Carta de um cárcere de Birmingham", um manifesto da revolução negra; ele planejou a grande carreata no Alabama pelo direito de votar dos negros, ele dirigiu a marcha pela paz em Washington, D.C , à frente de 250.000 pessoas para quem pregou seu mais famoso sermão: " Eu tenho um Sonho ".Ele foi recebido pelo presidente Lyndon B. Johnson; foi preso, depois disso, cerca de 20 vezes, atacado no mínimo por 4 vezes, agraciado com 05 honrarias , foi nomeado o "Homem do ano" pela Revista Time em 1963; ele se tornou não apenas o símbolo dos negros americanos como também de uma figura reconhecida mundialmente.

Com a idade de 35 anos, Martin Luther King, Jr. foi o homem mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. Quando recebeu a notícia da sua escolha, ele anunciou que entregaria o dinheiro do prêmio para o fomento do movimento dos direitos civis.Na tarde de 04 de abril de 1968, ele foi assassinado enquanto estava na janela de um quarto de hotel, em Memphis, Tennesse, onde ele fora para liderar uma marcha de protesto em apoio a greve dos lixeiros daquela cidade.

Vale a pena Ler

Conta-se que a filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no "Early Show" quando a apresentadora Jane Clayson lhe perguntou : Como DEUS permitira algo tão terrível assim acontecesse no dia 11 de setembro de 2001?E, Anne Graham deu uma resposta profunda e esclarecedora.Ela disse: "Eu creio que DEUS ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos nós temos dito para DEUS não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como DEUS é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que DEUS nos dê a Sua bênção e Sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco? À vista dos acontecimentos recentes, ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc.Eu creio que tudo começou desde que Madalyn Murray O'Hair, uma ateísta, se queixou de que era impróprio fazer orações nas escolas americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós próprios. E nós concordamos.Logo depois, o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos corrigir nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto-estima . E nós dissemos: "um perito nesse assunto deve saber o que está falando", e concordamos com ele. O filho do Dr. Spock depois cometeu suicídio.Depois alguém disse que os professores e os diretores das escolas não deveriam disciplinar os nossos filhos quando eles se comportassem mal. Os administradores escolares então decidiram que nenhum professor em suas escolas deveria tocar em um aluno quando se comportasse mal, porque não queriam publicidade negativa, e não queriam ser processados. (Há uma grande diferença entre disciplinar e tocar, corrigir, dar socos, humilhar e chutar, etc.) E nós concordamos com tudo.Aí alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem, e que nem precisariam contar aos pais. E nós aceitamos essa sugestão sem ao menos questioná-la. Em seguida algum membro da mesa administrativa escolar muito sabido disse que, como rapazes serão sempre rapazes, e que como homens iriam acabar fazendo o inevitável, que então deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas quantas eles quisessem, para que eles pudessem se divertir à vontade, e que nem precisaríamos dizer aos seus pais que eles as tivessem obtido na escola. E nós dissemos, "está bem".Depois alguns dos nossos políticos mais importantes disseram que não teria importância alguma o que nós fizéssemos em nossa privacidade, desde que estivéssemos cumprindo com os nossos deveres. Concordando com eles, dissemos que para nós não faria qualquer diferença o que uma pessoa fizesse em particular, incluindo o nosso presidente da República, desde que o nosso emprego fosse mantido e a nossa economia ficasse equilibrada.Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia, e uma apreciação natural da beleza do corpo feminino . E nós também concordamos Depois uma outra pessoa levou isto a um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição na Internet. E nós dissemos, "está bem, isto é democracia, e eles têm direito de ter a liberdade de se expressar e fazer isso".A indústria de entretenimento então disse: "Vamos fazer shows de TV e filmes que promovam profanação, violência e sexo ilícito. Vamos gravar música que estimule o estupro, drogas, assassínio, suicídio e temas satânicos." E nós dissemos: "Isto é apenas diversão, e não produz qualquer efeito prejudicial. Ninguém leva isso a sério mesmo, então que façam isso!"Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência, e por que não sabem distinguir entre o bem e o mal, o certo e o errado, por que não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios... Provavelmente, se nós analisarmos tudo isto seriamente, iremos facilmente compreender que nós estamos colhemos exatamente aquilo que temos semeado! "Comentário pessoal:Anne Graham escreveu um livro "Céu: a casa de meu Pai" relacionado com o episódio de 11 de setembro de 2001. A CNN fez a transcrição de um "chat" com ela três meses depois, em 11/12/2001. Aparentemente não repetiu as palavras da sua entrevista no "Early Show".

UNIÃO ESTÁVEL E BATISMO NAS ÁGUAS

12/08/2008

Altair Germano

Devido a atualidade do assunto, resolvi publicar novamente este post (Publicado originalmente em 15/06/2007), abrindo desta forma o espaço para uma maior discussão e reflexão sobre o problema.
1. Sendo o casamento não sujeito a um padrão bíblico, judicial e cultural universal, entende-se que Deus o concebe conforme o tempo, cultura, costume e padrões normativos da sociedade, desde que não infrinja os princípios estabelecidos pela palavra de Deus, dentre os quais a heterossexualidade e a fidelidade conjugal (Gn 1.27, 2.22-25; Ex 20.14, 17; 1Tm 3.2;).
2. Não há na Bíblia sagrada nada que fundamente a idéia de que para ser reconhecido por Deus, o casamento precise de uma certidão ou contrato, quer estabelecido pelos pais, pela religião ou pelo estado. A prova disto é que os casamentos que não foram realizados ou regidos por tais instrumentos, eram diante de Deus reconhecidos e válidos (Gn 1.27-28; 24.58-67; 29.21-30; 41.45; Ex 24.1; 1Sm 18.27; Rt 4.9-13; Mt 1.24-25, etc.) O contrato de casamento é mencionado apenas no livro apócrifo de Tobias 7.13, e mesmo assim com caráter descritivo e não prescritivo.
3. Os contratos de casamento, a princípio estabelecidos pela família em algumas sociedades antigas, sem a interferência do Estado, vindo a fazer parte do universo jurídico apenas num passado recente, eram motivados por questão de ordem material e não afetiva. Não era a legitimação do casamento a preocupação inicial, mas sim a partilha dos bens ao final deste.
4. Só a partir do século IX a igreja (católica), começou a chamar para si a competência para regular de forma exclusiva a toda matéria matrimonial, vindo no Concílio de Trento em 1553 dar ao casamento a condição de sacramento da Igreja. Até então, desde a Igreja Primitiva, não havia dificuldade no reconhecimento do casamento conforme os padrões sócio-culturais, desde que fundamentado nos padrões bíblicos, conforme já citado.
5. No Brasil, a Igreja no seu princípio seguiu as diretrizes da Constituição Republicana de 24 de Janeiro de 1891, no art. 72, parágrafo 2°., que reconhecia apenas o "casamento civil", e do Código Civil que vigorou a partir do 1° de Janeiro de 1917, cujas disposições só reconhecia como válido o casamento civil celebrado pela autoridade secular. Entendendo se dever cívico de submissão às autoridades constituídas (Rm 13) e da preservação dos bons costumes (padrão culturalmente instável), a Igreja Evangélica, sem maior reflexão bíblica, privou o batismo nas águas e consequentemente da santa ceia aqueles novos crentes congregados que se encontravam diante da "lei" irregulares e marginalizados em virtude de sua união conjugal não seguir as diretrizes legais de então, quanto ao casamento ou reconhecimento do status de família. Com os graves problemas que esta exigência jurídicas causou, uma vez que não eram reconhecida pelo Estado as uniões conjugais estáveis, acontecia que no momento da separação entre estes "casais", a mulher sempre sofria prejuízos na partilha (quando havia partilha) de bens e em outras questão básicas.
6. Diante deste quadro, partindo de mudanças no Direito Tributário, o Estado acabou por reconhecer através da Constituição de 1988 em seu art. 226 parágrafo 3°, a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, caracterizada pela convivência pública, contínua e duradoura com o objetivo de constituir família. Tal artigo foi regulamentado pela Lei 9.278 de 10 de Maio de 1996 e pelo novo Código Civil de 10.01.2002 em seu art. 1723. O Estado com isso corrigiu um erro e uma injustiça, retomando o principio dos primórdios da sociedade onde "o fato do casamento era por si reconhecido e satisfatório. Tais mudanças nas leis do país, não quebraram nenhum principio bíblico referente a vida conjugal entre homem e mulher, ao contrário, consolidaram o referente princípio.
7. Não há Novo Testamento nenhuma exigência para o batismo nas águas relacionada a "contratos ou certidões de casamento", aliás, as únicas exigências são arrependimento, fé, consciência e vontade (Mc 16.16; At 2.38-41; 8. 36-37). A história e a Bíblia (Mt 15.3) nos revelam os riscos de se colocar a "tradição" acima da Palavra de Deus promovendo com isto a injustiça.
8. É no mínimo contraditório o fato de se negar o batismo nas águas para os crentes que participam ativamente da vida congregacional, contribuem com seus dízimos, dão ofertas, evangelizam, fazem parte dos órgãos de cântico, alguns são líderes, ensinam na escola dominical, e são batizados com o Espírito Santo. Só não podem assumir funções "oficiais" e participarem da Santa Ceia.
Mudar é incômodo, mas por vezes é necessário. Mudar com responsabilidade, avaliando as conseqüências das mudanças é essencial. O desejo por mudança, por bem intencionado que seja, acaba mexendo com padrões fortemente estabelecidos e arraigados em qualquer instituição. Não quero ser simplista, visto que a questão exige assim uma análise cautelosa.
O pensador e questionador corre o risco de ser mal interpretado e até "excomungado" (Jesus, Paulo, Lutero, Luther king e outros que o digam). Pensar diferente nem sempre é pensar errado. Pensar criticamente é necessário. Pensar biblicamente é sempre certo. O propósito desse texto é fazer pensar, refletir, gerar discussão, debate, pois só assim os erros podem ser corrigidos, as mudanças podem acontecer e a justiça pode ser promovida.
BibliográficasCódigo Civil e Constituição Federal.
São Paulo: Saraiva, 2003.CAMPOS, Alzira Lobo de Arruda.
Casamento e família em São Paulo colonial.
São Paulo: Paz e Terra, 2003.ENGELS, Friedrich.
A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
São Paulo: Centauro, 2002.MAGALHÃES, Rui Ribeiro de. Direito de família no novo código civil brasileiro. 2. ed. São Paulo.
Editora Juarez de Oliveira, 2003.
THERBORN, Göran. Sexo e poder: a família no mundo 1900-2000. São Paulo: Contexto, 2006.

A tresloucada simpatia de alguns cristãos por Friedrich Nietzsche e a gritante distorção que fazem do seu discurso

Silas Daniel

Há um pequeno fenômeno entre alguns cristãos de hoje, influenciados pela mentalidade pós-moderna, e que, mesmo sendo ainda tímido, já está suficientemente reproduzido em inúmeras reflexões exaradas em livros e sites, ao ponto de merecer a nossa atenção e preocupação: a prática de eleger acriticamente, como referenciais, personalidades que nada têm a ver com aquilo ao qual elas foram eleitas para representar pelos seus aficcionados.Trocando em miúdos, muitos cristãos estão cometendo o terrível equívoco de escolher como seus referenciais na fé cristã, ou em aspectos da fé cristã, personalidades não-cristãs que não apenas não têm nada a ver com os princípios bíblicos como, em alguns casos, também se opõem ferozmente à genuína fé cristã. Mas seus aficcionados, com sua percepção eclipsada pela sua veneração à entourage da pós-modernidade, não conseguem (ou não querem) enxergar isso. Ao ponto de alguns deles chegarem a afirmar ainda, em alguns casos, o absurdo de que tais personalidades não-cristãs “entenderam mais do Evangelho do que a maioria dos crentes” (sic).Para não me alongar muito nesta postagem, citarei apenas um dentre vários exemplos graves: o caso do tratamento que alguns cristãos dão ao filósofo prussiano Friedrich Wilhelm Nietzsche.Nietzsche não era um “oponente do falso cristianismo”É inconcebível que cristãos vejam algo de cristão, algo do Evangelho, nos escritos de Nietzsche. Na verdade, os que assim fazem ou agem por ignorância ou por pura desonestidade.Já li e ouvi alguns crentes citarem frases de Nietzsche absolutamente fora de contexto, fazendo seus leitores ou ouvintes pensarem que o filósofo estava se referindo, naqueles momentos pinçados, a idéias que, de alguma forma, se assemelhariam a algo que o Evangelho ensina. Já vi também alguns cristãos irem mais além, afirmando o absurdo de que a luta ácida do prussiano não era contra Jesus, não era contra o Evangelho, mas “apenas contra a religião chamada 'cristianismo', que se corrompeu”, e, por isso, “a luta de Nietzsche, de certa forma, seria a mesma nossa”. E ainda há quem assevere tresloucadamente: “Quem pensa que a luta de Nietzsche é contra Jesus ou não leu Nietzsche ou, se leu, leu e não entendeu”. Não! Quem afirma isso é quem nunca leu Nietzsche ou, se leu, não entendeu absolutamente nada do que escreveu, por mais claro que ele tenha sido em seus escritos.Nietzsche não era intrincado, mas claro em suas afirmações absurdas. Obtusos são os que tentam fazê-lo dizer o que não disse, citando-o totalmente fora de contexto.Nietzsche era absolutamente contra o Jesus da BíbliaO Jesus que Nietzsche defendia não era o Jesus dos Evangelhos.Para Nietzsche, os Evangelhos falsificaram a Boa Nova original de Jesus. O Jesus dos Evangelhos é, para ele, uma farsa. Afirmava o prussiano que os quatro evangelistas teriam misturado verdades (poucas) com mentiras (em profusão) em suas narrativas dos Evangelhos. Os quatro Evangelhos são, para Nietzsche, uma fraude, adulterações da “verdadeira história”. Baseado em que Nietzsche dizia isso? Em nada e em ninguém. Ele apenas achava que era assim. E mais: acreditava também que sabia qual era a suposta "genuína mensagem original de Jesus". E como teria encontrado essa "mensagem original"? Intuição (sic). Selecionava as passagens do Evangelho que ele achava que tinham mais a ver com sua idealização do “Jesus histórico” e desprezava as outras, que eram a esmagadora maioria, taxando-as absurdamente de fraudes promovidas por Mateus, Marcos, Lucas e João.Nietzsche afirmava o que afirmava sobre Jesus e os Evangelhos não porque tinha como provar, mas por simplesmente achar que era assim e pronto. Afirmava como verdade sem preocupar-se com provas. Seguia apenas seu desejo e intuição. E como se não bastasse já a sandice do ato em si, ele escreveu essas suas tresloucadas intuições, em O Anticristo, quando já estava clinicamente louco e sob o efeito de drogas. Ou seja, além de vigarista, era louco. A própria professora Scarlett Marton, especialista em Nietzsche, admite que alguns estudiosos admiradores do prussiano, justamente por causa disso, preferem colocar o filósofo “no seu devido lugar”, separando os seus demais textos daqueles que foram escritos sob o efeito das drogas. Estes, apesar do péssimo gosto, pelo menos são mais honestos, diferentemente de alguns professores seculares que conheci que achavam "lindo" e "romântico" o fato de alguns dos livros de Nietzsche terem sido escritos quando ele estava louco e sob o efeito de drogas. Eles tratavam esses livros, exatamente por isso, como uma espécie de "livros sagrados", quase "revelações divinas", por mais absurdamente ilógicas que sejam, do começo ao fim, as afirmações contidas neles. "Oh, o gênio louco! Que lindo! Que emocionante!"
Ou seja, tratavam-no como aqueles tolos dos anos 60 e 70 tratavam (e alguns ainda tratam hoje) os quadros e músicas bizarros de artistas que produziram suas obras sob o efeito de drogas, sob o pretexto de "ampliar a criatividade". Preferem venerar o que chamam de "insights da loucura" do que atentar para o que é dito em lucidez e sem vigarices. Preferem a "intuição" da loucura do que a lucidez e a verdade dos fatos. Preferem deliberadamente ser engodados do que aceitar a verdade. A lucidez já não importa tanto. Loucura é quase salvação. Mas, pensando bem, o que esperar de uma geração que acha Dadaísmo arte?
E ainda há cristãos que alçam ao nível da excelência frases extraídas de textos sem lógica, sem pé nem cabeça, absurdos, de um coitado acometido de loucura e sob o efeito de drogas nos últimos 27 anos de sua vida (ele se auto-medicava e, entre as drogas consumidas quase que diariamente, estava o haxixe)! E ainda há cristãos que citam declarações de seus livros como se fossem pensamentos sadios teologicamente ou coerentes inferências filosóficas. Basta ler o respectivo contexto de cada citação e vê-se a verdadeira intenção e absurdo por trás de cada frase (independente de ser de livros em que Nietzsche já havia surtado totalmente ou não – basta serem da fase de revolta).Bem, mas voltemos ao que o prussiano achava de Jesus. Afirma Nietzsche que o verdadeiro Jesus era um rebelde que morreu pelos seus ideais, não era Deus e nem queria salvar ninguém. Os seguidores de Jesus é que teriam inventado essa história de que ele era Deus. Jesus seria apenas um mestre anarquista que queria mostrar como se deveria viver, sem essa história de “humildade” (considerada pelo filósofo “tolice” e “fraqueza”), e que não morreu para salvar os homens. Era esse Jesus que Nietzsche aceitava. Ele afirmava, inclusive, que “o [verdadeiro] Evangelho morreu na cruz [com Jesus]” e o cristianismo seria nada mais do que uma invenção, tendo como seu maior mentor, construtor, idealizador, o apóstolo Paulo.Nietzsche dizia que Paulo inventou a história do Céu e do Inferno e a necessidade da crença na imortalidade como maneira de desvalorizar o agora da vida no mundo. Seu livro O Anticristo é uma guerra declarada contra o Jesus da Bíblia, o apóstolo Paulo e tudo o mais relativo ao cristianismo. E ataca acidamente todos os teólogos cristãos em seu livro (e não o faz porque acha que os teólogos estão se desviando da Bíblia, como distorcem alguns, mas exatamente porque, como ele mesmo explica, os teólogos disseminam os valores ensinados pela Bíblia, que ele tanto odiava. Porém, alguns cristãos simpatizantes de Nietzsche, avessos à ortodoxia e seduzidos pelos princípios da pós-modernidade, cometem diante desses textos uma vergonhosa dislexia premeditada: usam descaradamente essas passagens em que Nietzsche fala contra teólogos como se ele estivesse opondo-se a estes porque teriam deturpado a Bíblia).Sintética e finalmente, sabe o que Nietzsche achava do Jesus da Bíblia? A definição a seguir é dada por ele mesmo em O Anticristo: “Canalha indecente!” É isso mesmo que você leu. Essa blasfêmia contra Jesus é proferida por ele em meio à ojeriza que ele expressa em relação às falas de Jesus registradas em Lucas 6.23, Mateus 5.46,47; 6.15,33; 7.1-2; Marcos 6.11 e 8.34 etc. Nietzsche considera esses ensinos de Jesus, todos, uma “sujeira”. Sugere, inclusive, que “convém vestir luvas antes de ler o Novo Testamento”. Veja quanta "simpatia" ele acalentava por Jesus e a Bíblia! E o pior de tudo é que ainda há quem diga que a sua luta era apenas contra o falso cristianismo e não contra Jesus...O “evangelho” segundo Nietzsche e o Evangelho de JesusNietzsche era um ateu que se opôs veementemente a Deus, à Bíblia e a seus valores. Dizia até que não era “ateu por conseqüência” de alguma coisa, mas “ateu por instinto”; ou seja, segundo ele, sempre fora ateu, mas fugira inicialmente dessa realidade até assumi-la de vez em determinado momento da vida. E levou seu ateísmo até às últimas conseqüências, renegando todos os valores defendidos pela Bíblia, e que considerava a grande “praga” da humanidade e contra os quais lutou em seus escritos até a loucura e a morte. Era um ateu antiteísta no sentido correto da palavra. Ele não era do tipo de ateu que negava o Deus da Bíblia, mas, por outro lado, gostava dos valores judaico-cristãos. Deus, para ele, era uma invenção, “um reflexo da psicologia das pessoas”, do que há de mais fraco nelas, isto é, do que há no “homem atrasado”. Por isso, de acordo com ele, a idéia de Deus e os valores judaico-cristãos deveriam ser todos defenestrados da humanidade, e a nova moral deveria estar baseada no indivíduo, mais especificamente nos seus instintos. Para Nietzsche, a essência do ser é a vontade. Aliás, este é um conceito central no pensamento de Nietzsche.Enfim, nenhuma das virtudes defendidas pelo prussiano se coaduna com o Evangelho. As virtudes do “super-homem” pregadas por ele são orgulho, vontade inabalável (a busca pela prevalência da vontade pessoal), ambição de poder e inimizade (que os fortes vençam os mais fracos), busca pela satisfação sem restrições “morais” e o que ele entendia como “espírito livre” (livre das “amarras” dos valores judaico-cristãos). Ou seja, extravasar e obedecer à vontade pessoal é a verdadeira felicidade. Jesus, ao contrário, falava de negar a si mesmo e ser fiel até à morte, e que o maior é aquele que mais serve e não se preocupa apenas consigo; e que a felicidade está no amor a Deus e ao próximo.Entretanto, o que é nobreza para Nietzsche? Segundo ele, o ser humano é tão nobre quanto a sua proximidade com o “super-homem”. Isto é, quanto mais desejo de poder e orgulho, maior é sua nobreza. Já Jesus falava de humildade, mansidão, abnegação e submissão total e incondicional a Deus como coisas que caracterizam a verdadeira virtude, a verdadeira nobreza.Bem, se Nietzsche chamava a idéia de Deus e todos esses valores defendidos pelo Jesus da Bíblia de “praga”, e asseverava que o que importava mesmo era o poder e o orgulho, como é que alguém pode afirmar que a luta dele era "apenas contra o falso cristianismo"?“Deus está morto e os pecados morreram com ele”Outro absurdo inconcebível é ver crentes lerem a declaração do filósofo de que “Deus está morto e esses pecados morreram com ele” como uma afirmação que estaria reverberando, ainda que inconscientemente, o Evangelho. Nada mais falso! É como usar a música Imagine de John Lennon como se fosse uma música que fala de como será o mundo quando o Reino de Deus for implantado definitivamente em toda a Terra, como já vi crentes fazendo. Isso é um desrespeito ao próprio Lennon, que nem escreveu aquelas palavras nesse sentido, pois nem cria nisso, e ainda era anticristão, deixando isso claro inclusive na própria letra de Imagine: “Imagine que não existe nenhum Céu (...) e nenhum Inferno. (...) Imagine todas as pessoas vivendo pelo hoje. (...) Nenhuma religião também”. Quando Lennon fala de “religião” na letra dessa música, não tinha em mente o que chamamos pejorativamente de religião. Tinha em mente principalmente a pregação do cristianismo sobre a Salvação só em Jesus, a necessidade de arrependimento (palavra inconveniente na pós-modernidade) em relação aos nossos pecados, realidade do Céu e do Inferno etc.Aliás, se Nietzsche estivesse vivo e ouvisse o uso descaradamente distorcido de suas afirmações como se fossem referência ao Evangelho bíblico, ele se revoltaria, escandalizado e extremamente indignado. Lennon, idem.Aliás, já notou como os crentes influenciados pela pós-modernidade criaram um mecanismo falacioso para tentar fazer os outros e eles mesmos crerem que todos os ataques ao cristianismo não têm a ver com ataques ao Evangelho? A falácia está no joguinho que se faz com o termo “religião”. É o que chamei, parágrafos acima, de “dislexia premeditada”. Simplesmente, dizem que todos esses ataques são, na verdade, contra a “religião cristã” (religião no sentido pejorativo, diferentemente do que aparece em Tiago 1). Porém, a maioria desses ataques estavam e estão expressamente se referindo, quando falam em cristianismo, não a meros ritos religiosos ou legalismo, não ao falso cristianismo, não a uma casca religiosa que se apresenta como cristianismo, mas aos princípios e valores bíblicos mesmo. Conquanto haja quem critica o cristianismo por confundi-lo com o falso cristianismo, é ignorância ou desonestidade classificar todos os ataques como sendo isso. Não são.Quer se fazer crer que sempre quando alguém ataca a “religião” está usando esse termo no sentido pejorativo que muitos cristãos usam. “Ah, o ataque deles é só contra a chamada ‘religião cristã’, não contra o Evangelho mesmo. Se conhecessem o que ensina o Evangelho, não fariam esses ataques”. E chegam até ao ponto de sacralizar ataques, sagrar o que é original, bíblica e essencialmente anticristão. "Ele não queria dizer o que pensam... O que disse até se parece com o Evangelho!..." Por exemplo, aceitar a letra de Imagine como um não-ataque ao Evangelho, quando é. Desfigura-se a intenção do autor da música ou do texto, ou do artigo, colocando por cima dela a sua interpretação. Despreza-se totalmente a intenção original do autor. Não vale mais o que Lennon quis dizer claramente e como ele tratou do assunto durante sua vida, mas o que eu acho que ele queria dizer ou, melhor dizendo, o que eu quero que ele diga. Assim como não vale mais a intenção de Nietzsche, o que ele quis dizer, por mais gritantemente claro e nítido que ele tenha sido. Vale o que eu quero que ele diga. Isso tem um nome na filosofia: desconstrutivismo. Pode chamar também de “desonestidade com roupagem filosófica”.Além de não haver Evangelho em Nietzsche, torcer o significado claro de seu texto é desrespeitá-lo. É propaganda enganosa, é usar indevidamente, distorcidamente, as suas palavras. Não é à toa que os crentes que fazem isso são geralmente os mesmos que desprezam as regras básicas e evidentes de hermenêutica na hora de interpretar textos bíblicos. A motivação é a mesma: fazer com que os textos bíblicos que usam digam o que eles querem que digam, assim como fazem com os textos de outros autores.Quem ler o argumento de Nietzsche todo verá que quando ele disse “Deus está morto e esses pecados morreram com Ele”, estava dizendo que os valores são uma invenção alimentada pela crença em Deus, por isso, de acordo com o prussiano, quando os seres humanos tomassem consciência da inexistência de Deus, os valores decorrentes dessa crença (e que são para ele uma “doença”) se extinguiriam, e com eles a idéia de “pecado”. Quando ele afirma “Deus morreu”, está dizendo que tanto a idéia de Deus quanto os valores, decorrentes de se crer nEle, morrem. Morrem com Ele. Por isso, não haveria mais o que se falar de “pecado”.O que Nietzsche pregava era a “transvalorização” de toda moral e ética cristãs. O que vale mesmo, de acordo com ele, é a vontade de poder, que, quando prezada, leva ao “super-homem”, ao “sobre-homem”, ao “além-do-homem” (o übermensch, o overman). “Além-do-homem” significa que o “homem normal” deveria se tornar o “homem desejável”, o humanismo em seu sentido mais acentuado.O que isso tem a ver com o Evangelho? Nada. Mas tem gente que prefere “ver cabelos em sapo” só para não parecer “atrasado” diante da entourage da pós-modernidade – já que, na pós-modernidade, desprezar o “papai” Nietzsche é não ser intelectual, quando a verdade crua e nua é que Nietzsche está quilômetros abaixo dos maiores filósofos do passado. É fumaça pura.
Isso não quer dizer que não possa existir alguma razão para lê-lo. Há umazinha só: ler Nietzsche é importante para entender melhor o espírito e a mentalidade desvirtuada dos nossos dias, tão influenciados pelos seus escritos. Excetuando isso, o que sobra é uma experiência irrelevante, que não acrescenta nada à nossa vida, além de ser desagradável por razões óbvias (Ou alguém gosta de ler mentiras grosseiras e ofensas vomitadas num papel em um transe de ódio e alucinação?). Passei por essa experiência há alguns anos, sem um pingo de saudades e achando cada vez mais estranho como tem gente que consegue lê-lo (se é que realmente leu, no sentido lato do termo) e confundir vidro com diamante, latas com taças de ouro.

A guerra de Satanás contra Deus

Thomas Ice

Para que a profecia bíblica sobre o fim dos tempos faça sentido, é preciso entender primeiro o que aconteceu no princípio de tudo, a fim de saber para onde vamos e por que a história humana caminha nessa direção. Embora o ser humano esteja visceralmente envolvido no desdobramento da história, ninguém vai conseguir entender o propósito e o objetivo dela sem antes conhecer o que Deus revela acerca da esfera angelical. Tudo começou quando Satanás declarou a sua independência de Deus logo depois da criação.

Começa a Batalha Pelo Planeta Terra

Os textos de Ezequiel 28 e Isaías 14 são as duas principais passagens bíblicas que mostram a entrada do pecado no universo por ocasião da queda de Satanás. O capítulo 28 de Ezequiel inicia com um pronunciamento de juízo contra o príncipe de Tiro, que demonstra ser uma referência a Lúcifer, ou seja, Satanás, aquele que realmente atua por detrás desse rei humano (Ez 28.11-19). Os versículos 14 e 15 de Ezequiel 28 dizem: “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti”. Apesar de ter sido criado em beleza e perfeição, Satanás, o anjo de Deus mais elevado na hierarquia angelical, caiu em pecado e arrastou consigo um terço dos outros anjos (Ap 12.4,9).
O texto de Isaías 14 é a outra passagem bíblica fundamental para nos esclarecer acerca da queda de Satanás. O profeta registra a famosa declaração de Satanás em sua rebelião contra Deus: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (vv. 13-14). Deus respondeu a tal declaração da seguinte forma: “Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo” (v. 15). Satanás se tornou o inimigo de Deus, um adversário que se levantou com o intuito de destronar Deus e impedir o plano divino para a história.
Depois que caiu em pecado, Satanás partiu para expandir sua influência através da tentação de Adão e Eva, que tinham sido criados recentemente, para levá-los a se unirem a ele em sua rebelião contra Deus. Em conseqüência da participação de Satanás no engano de Eva a fim de que o ser humano se juntasse a ele na revolta contra Deus, o Senhor amaldiçoou a serpente e a mulher nos seguintes termos: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). O grande conflito entre a descendência da serpente e o descendente da mulher começou a ser travado a partir daquele momento.

Satanás Difama a Deus

O livro de Jó é o primeiro livro da Bíblia revelado por Deus ao ser humano e, portanto, é o mais antigo livro do cânon das Escrituras. Eu creio que o livro funciona como uma espécie de prolegômeno* da Bíblia. Identificamos o tema geral da história na vida de Jó, um personagem bíblico que viveu antes de Abraão. Naquele contexto, percebe-se que Deus demonstrava alguma verdade ao conselho angelical** através dos acontecimentos na vida de Jó. Apesar das terríveis provações que Jó suportou, Deus abençoou esse homem no fim de sua vida muito mais do que o abençoara no começo, desbancando, desse modo, a falácia da acusação satânica fundamental de que Deus não sabe o que faz. O restante da Bíblia e a história comprovam essa tese com muito mais detalhes que envolvem não somente o povo de Israel , mas também a Igreja e outros grupos de pessoas redimidas.
No começo do relato da história de Jó, quando os anjos (tanto os caídos quanto os santos anjos) compareceram perante Deus, perguntou o Senhor a Satanás: “Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela” (Jó 1.7). À medida que acompanhamos o desenrolar do diálogo entre Deus e Satanás, descobrimos que, apesar de o diabo ter poder para investir contra a vida de seres humanos, isso não quer dizer, necessariamente, que ele possa fazê-lo quando bem entender. Satanás precisa da permissão de Deus para provocar calamidades na vida de um ser humano.

O Senhor iniciou sua conversa com Satanás perguntando o seguinte: “Observaste o meu servo Jó?” (Jó 1.8). Em seguida, Satanás solicitou a permissão do Senhor para causar danos a Jó. Satanás obviamente não pediria consentimento numa questão como essa, se não fosse necessário. O diabo admitiu que Deus fizera uma cerca viva (i.e., uma cerca de proteção) ao redor da vida de Jó e de sua família, proteção essa que o impedia de atacar sorrateiramente a Jó sem a permissão de Deus. Após conceder permissão a Satanás, o Senhor estabeleceu os limites de sofrimento que ele poderia infligir a Jó (cf. Jó 1.12; Jó 2.6).
Durante o diálogo entre Deus e Satanás, o diabo acusa o Senhor de não ser um Deus bom, de não saber o que faz e de ser Alguém que só obtém a lealdade do ser humano porque compra a pessoa com bens e benefícios. Percebe-se que o alvo de Satanás é obstruir o progresso do plano de Deus para que possa provar sua tese de que Deus não sabe governar o universo; na realidade, Satanás acredita que é capaz de governar melhor do que Deus. Essa é a razão pela qual a luta entre a descendência da serpente e o descendente da mulher se trava na história e chegará ao seu clímax nos últimos dias, durante o período de sete anos da Tribulação.

Satanás Ataca Israel

O conflito entre o descendente da mulher e a descendência da serpente concentrou seu foco sobre Israel porque o Messias viria da nação eleita de Deus. Portanto, se Satanás em alguma ocasião conseguisse frustrar o plano de Deus e impedir sua concretização na história, teria atingido seu intento de obstruir o propósito de Deus e teria provado sua alegação inicial de que o Senhor não merece ser Deus, o Altíssimo.
Todo o capítulo 12 do livro de Apocalipse mostra a razão pela qual Satanás atacará Israel no meio do período da Tribulação e tentará eliminá-lo, ou seja, porque Satanás sabe que, àquela altura, pouco tempo lhe restará para evitar o cumprimento final do plano de Deus. O objetivo essencial de Satanás é impedir a Segunda Vinda de Cristo. Como ele poderia alcançar esse objetivo? Ele acredita que pode atingi-lo pela destruição dos judeus. A Segunda Vinda de Cristo acontecerá no momento em que a nação de Israel aceitar Jesus como seu Messias e invocar Seu nome para que Ele os salve no Armagedom. Se esse acontecimento milagroso não ocorresse, Israel seria aniquilado naquele momento da Grande Tribulação. Desse modo, o capítulo 12 de Apocalipse oferece uma compreensão clara desse conflito que vem sendo travado há milênios, desde o início deste mundo, e que perdura para se tornar uma questão de extrema importância no ponto culminante da história. O texto de Apocalipse 12 nos mostra que um terço dos anjos caiu em pecado e seguiu a Satanás por ocasião da sua revolta inicial. Entendemos esse fato ao constatarmos que as estrelas nessa passagem simbolizam os anjos (compare com Apocalipse 9.1; 12.7,9).“Essa foi uma guerra no céu que ocasionou a expulsão de Satanás e seus anjos para a terra antes do nascimento do filho da mulher, donde se conclui que tal acontecimento faz parte da história passada. Uma segunda guerra é mencionada em Apocalipse 12.7-9, que vem a ser a última tentativa satânica de conquistar o céu e exterminar o menino após o seu nascimento”.[1]
A segunda parte do versículo 4 é uma clara referência a Satanás (i.e., “o dragão”) que pára em frente da mulher que está para dar à luz (i.e., Israel ), numa tentativa de impedir o nascimento de Jesus, o Messias, o menino ao qual a mulher deu à luz no passado. Satanás não sabia o momento exato do nascimento do Messias, de forma que aguardou com muita expectativa pela vinda do descendente da mulher. A tentativa satânica de “devorar o filho [da mulher] quando nascesse” é vista no Novo Testamento naquela ocasião em que Satanás instigou o rei Herodes a tramar uma conspiração para achar o menino Jesus e matá-lo (Mt 2). Diante do fato de que os acontecimentos históricos envolvidos no nascimento de Jesus faziam parte do conflito angelical, o Senhor advertiu os magos do Oriente em sonho “para não voltarem à presença de Herodes”, pelo que eles, “regressaram por outro caminho a sua terra” (Mt 2.12). Satanás estava prestes a incitar Herodes para que este mandasse matar todos os nenês do sexo masculino da faixa etária de Jesus, porém, “tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Mt 2.13). Deus sempre está um passo à frente de Satanás.

Ao longo da história, fatos como os que acabamos de mencionar fazem parte do conflito angelical, da guerra entre a descendência da serpente e o descendente da mulher. Robert L. Thomas faz o seguinte resumo dos principais acontecimentos da história:
As más intenções do dragão para com o filho que estava para nascer à mulher ficam evidentes em toda a história do Antigo Testamento. Indícios da sua hostilidade vêm à tona no assassinato de Abel pelas mãos de Caim (Gn 4.8), na corrupção da linhagem de Sete (Gn 6.1-12), nas tentativas de violar sexualmente tanto Sara (Gn 12.10-20; 20.1-18) quanto Rebeca (Gn 26.1-18), no plano de Rebeca para tirar o direito de primogenitura de Esaú através de uma trapaça, ocasionando a inimizade de Esaú contra Jacó (Gn 27), no assassinato de todos os nenês hebreus do sexo masculino por ordem do Faraó no Egito (Êx 1.15-22), nas tentativas de assassinar Davi (por exemplo, 1 Sm 18.10-11), na tentativa da rainha Atalia de destruir toda a descendência real de Judá (2 Cr 22.10), na trama de Hamã para exterminar os judeus (Et 3-9), e nas constantes tentativas dos israelitas de matarem seus próprios filhos em atos de sacrifício com finalidade expiatória (cf. Lv 18.21; 2 Rs 16.3; 2 Cr 28.3; Sl 106.37-38; Ez 16.20).
A investida de Herodes para matar os nenês da região de Belém (Mt 2.16) e muitos outros incidentes durante a vida de Jesus neste mundo, inclusive Sua tentação, tipificam o contínuo esforço de Satanás para “devorar” o filho da mulher a partir do momento que o menino nasceu. Naturalmente a tentativa mais direta foi a crucificação de Cristo.[2]
A profecia é necessária para que, no decorrer da história, Deus demonstre por evidências que Jesus Cristo tem o direito de governar o planeta Terra e que Satanás não passa de um mentiroso em tudo o que fala, principalmente nas referências que ele faz a Deus. Essa é a razão pela qual Deus planejou acontecimentos proféticos que se cumprirão no futuro e que comprovarão que Jesus Cristo é o herói da história. Maranata! (Thomas Ice - Pre-Trib Perspectives - http://www.chamada.com.br)

O que está acontecendo com os pentecostais?

O que está acontecendo com os pentecostais?
Pastores pentecostais que apóiam políticos pró-aborto e pró-homossexualismo

Julio Severo

Tanto no Brasil quanto nos EUA, o surgimento e crescimento do movimento pentecostal foi acompanhado por marcas fortes de consagração e santidade na vida dos pastores. Além disso, muito antes do moderno movimento de direitos civis que é hoje visto como início da luta para dar aos negros direitos iguais, o movimento pentecostal já dava espontaneamente amplas oportunidades aos negros e outras raças, pois o que valia era a santificação pessoal diante de Deus. Racismo era problema peculiar da sociedade secular, não das igrejas pentecostais.

Quando nem se pensava em oportunidades iguais para todos, pastores negros já eram comuns nas igrejas pentecostais. A característica importante é que essas igrejas alcançaram tal igualdade sem nenhum tipo de medida ou coerção política. Aliás, os pentecostais eram tradicionalmente avessos à política, vendo-a como esfera demoníaca.
Talvez eles estivessem certos, até certo ponto.
Hoje os pastores pentecostais se envolvem fortemente na política e o movimento pentecostal moderno exibe marcas bem distantes de santificação, preferindo muitas vezes ser levado por interesses políticos em vez de ser de levado pelo vento do Espírito.
Esses interesses estão criando estranhas alianças, afastando radicalmente os pentecostais de suas raízes de santidade tradicional. É na política que a decadência espiritual mais sobressai. Nos EUA, durante as eleições para a presidência, quem está desempenhando papel importante na campanha de Barack Obama é a pastora pentecostal Leah Daughtry.
Obama é do Partido Democrático que, no que se refere a questões morais como aborto e homossexualismo, é bem parecido com o Partido dos Trabalhadores do Brasil. Nessas questões, quem é Obama?
O jornal secular americano Washington Post, que geralmente é bem liberal, informa que Obama tem uma postura radicalmente a favor do aborto, apoiando-o mesmo que o bebê seja condenado a ser morto no próprio dia do nascimento! Ele literalmente defende essa prática por toda e qualquer razão, como direito da mulher.
Quanto à questão gay, Obama declarou: “Colocarei todo o peso do meu governo para aprovar” leis anti-homofobia. Ele também se comprometeu a eliminar das leis toda referência e defesa ao casamento como somente entre um homem e uma mulher, a fim de abrir espaço a quem pratica o homossexualismo. Peter LaBarbera, que dirige um ministério evangélico de alerta contra a agenda gay, declarou que nenhum candidato presidencial na história dos EUA mostrou tanto apoio ao homossexualismo quanto Obama.
Sobre Israel, Obama quer a divisão da Terra Prometida entre judeus e árabes palestinos, que são na maior parte muçulmanos radicais. Ele também quer que os árabes palestinos tenham controle sobre Jerusalém. Essa posição radical de Obama está em choque não só com posição do ex-presidente Ronald Reagan, que era contra a criação de um Estado palestino dentro da Terra Prometida, mas também contra a própria Palavra de Deus.
Bastaria o apoio a apenas uma dessas questões para qualquer humilde pentecostal de décadas atrás pregar que Obama tem parte com as trevas — e nem é preciso ter dom de profecia ou revelações sobrenaturais para entender que homossexualismo e aborto estão profundamente ligados às trevas.
Contudo, o que era bem óbvio aos pentecostais do passado está hoje envolvido em obscuridade. A Pra. Leah Daughtry, cujo pai, avô, bisavô e tataravô eram pastores, assumiu o papel estratégico de conduzir os evangélicos americanos a apoiar Barack Obama.
Há a suspeita de que Obama seja um muçulmano disfarçado. Contudo, o que ele não tenta ocultar são seus sentimentos pró-aborto e pró-homossexualismo.
Então, como é que a Pra. Daughtry consegue conciliar sua fé pentecostal com o assassinato de bebês defendido por Obama? Nessa questão, ela desconversa: “Teologicamente, cremos que na maior decisão de nossas vidas inteiras — se devemos seguir a Deus ou não — Deus nos permite escolher. Se Deus é grande o suficiente para permitir essa escolha, então quem somos nós para ditar escolhas para outras pessoas? Nossas escolhas têm conseqüências, mas devemos ter a liberdade de fazer essas escolhas.”
Sim, o ser humano tem o livre arbítrio de praticar estupros, roubos, assassinatos e até abortos (e tem feito uso abominável dessa liberdade), mas nenhum pastor pentecostal do passado jamais apoiou a posição de que as leis devem defender ou espelhar esse tipo de livre arbítrio, que tornaria a sociedade um caos.
No passado, os pentecostais separavam-se totalmente da política. Eles diziam que política e Jesus não se misturam. Hoje, muitos deles entram na política, mas separam totalmente da política seus valores da Bíblia. Eles de fato não misturam Jesus com sua vida política. Se misturassem, haveria mudanças espirituais importantes na política nacional.
É pecado entrar na política? Não. Mas é pecado um cristão entrar ali sem a companhia e direção do Espírito Santo. É pecado permanecer ali sem permitir que o Espírito Santo tenha sempre vez e voz.
O que está acontecendo nos EUA é bem parecido com o que já ocorreu no Brasil, onde muitos pastores e bispos, que se julgam possuidores de incríveis dons de revelação, apoiaram Lula (o Obama brasileiro), não em uma, mas duas eleições presidenciais. Eu não me admiraria se, em futuro próximo, Lula ou o próprio PT empregasse pastores, bispos ou até mesmo apóstolos pentecostais para dar assessoria política.
O que está acontecendo nos EUA e no Brasil é bem parecido com o quadro político de Israel no Antigo Testamento, onde o povo de Deus, junto com seus líderes políticos e espirituais, se corrompia freqüentemente.
Eu sou bem a favor de que cristãos genuínos entrem na política — desde que levem junto seus valores. Mas hoje, quando vejo pastores pentecostais se corromperem com os valores do mundo, confesso: eu gosto muito mais dos pentecostais do passado que não se envolviam em política. Eu gostava mais deles quando viviam intensa e apaixonadamente para Jesus, vendo o mundo político como é: um mundo em trevas.
Em grande escala, os pentecostais foram pioneiros na derrubada das desigualdades em seu meio, pois seguiram o vento do Espírito. Mas ao seguir o vento político do liberalismo e esquerdismo, eles perderam seu espírito de pioneirismo e relevância espiritual, sucumbindo ao mau exemplo de outras igrejas. Muitas igrejas cristãs tradicionais são pioneiras no apoio ao aborto e homossexualismo e hoje amargam uma estagnação que lhes custa a perda de milhares de membros por ano, e é triste ver as igrejas pentecostais tentando imitá-las.
Se Leah Daughtry seguisse o bom exemplo dos pentecostais do passado, é certo que no melhor estilo pentecostal e profético ela esbravejaria contra Barack Obama, que personifica a forma mais moderna e politicamente correta de opressão, onde bebês são itens descartáveis na agenda do aborto e onde casamento, família e a saúde moral e física de crianças e jovens são sacrificados por amor à agenda homossexual.
Entretanto, o que se vê é pura cara-de-pau. Afinal, como é que uma pastora pentecostal consegue apoiar um político pró-aborto e pró-homossexualismo e ainda usar o púlpito para falar no nome de Deus como se fosse tudo natural? Pergunte ao pregador pentecostal Anthony Hopkins. Ele assassinou a esposa em 2004, depois que ela descobriu que ele vinha abusando sexualmente da filha. Em seguida, ele escondeu o cadáver da esposa no refrigerador. Nos quatro anos seguintes, ele continuou pregando “normalmente” nas igrejas. Seus crimes só foram descobertos recentemente, quando a filha abusada foi à polícia delatá-lo. Ele foi preso durante um culto de reavivamento, ao acabar de pregar para a congregação.
Se os pastores pentecostais do passado viram em visão os pastores pentecostais de hoje, eles choraram.

Pentecostalismo Desvirtuado

17/07/2008

David Abreu

O NEO-PENTECOSTALISMO é uma das maiores aberrações e heresias na igreja atual. Como em todo tempo, sempre aparece um grupo de "teólogos" querendo inovar em áreas totalmente genuínas do cristianismo. Todavia, veja o fim de cada um desses grupos, sempre foi o mesmo, ou seja, o fracasso, o descrédito e etc. de tudo que é ruim. Pois bem, o Avivamento na Rua Azuza nos EUA, que veio como que uma Reinauguração dos dons espirituais no seio da igreja, implantando assim no século XX uma comunidade cheia de manifestações do Espírito Santo, não tem nada a ver com o mundinho Neo-pentecostal de hoje. Já imaginaram como vai ficar a Fé dos freqüentadores da Universal do Reino de Deus caso a Record quebre?? E se o defensor da teologia da saúde perfeita, R.R. Soares, for tomado de Câncer, como ficará a mente de seus seguidores?? Se bem que eu acho que eles, caso aconteçam isso, tem resposta pra tudo, né mesmo?! Sejamos realistas, pensemos com a cabeça, senhores, e não com os pés e vejamos se não vivemos mais um tempo de mercadejar a fé, levando o povo a acreditar que Deus é obrigado a nos dá o luxo que queremos só para ostentarmos uma posição na sociedade atual; sociedade embriagada pela luxúria, pelos prazeres terrenos, pela pompa soberba do status-co e pela corrida desvairada pelo dinheiro. Não acredito numa igreja miserável aqui na terra para herdar o céu, mas também não creio numa igreja tão rica, bilionária, trilionária ao ponto de não desejar mais a glória celeste. Parece que em alguns casos, estamos como aquele bispo e seu assessor do século XV quando o assessor ao olhar a riqueza das catedrais de sua época, disse ao bispo: "é meu senhor já não podemos mais dizer que a igreja não tem ouro e prata". O bispo respondeu logo em seguida: "e muito menos caro assessor, podemos dizer - 'levanta, toma teu leito e anda'". A igreja de Cristo tem uma identidade genuína e esta precisa ser preservada. Ainda que isso nos custe o martírio, como custou a muitos, precisamos defender o que nos há de mais caro ainda nesta vida, nossa convicção enraizada no solo de nossa alma de que o preço mais alto da existência já foi pago por nós na cruz do calvário, por esta forte e eterna razão não podemos nos vender por preço tão baixo à um sistema que engorda em cima de mentiras, enganos, falácias e tudo aquilo que é contrário aos ditames do Sagrado. Você está disposto a ser um apologeta de Cristo, neste século onde a corrupção da fé é patente a luz das Escrituras Sagradas???

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